A causalidade dos acidentes de trabalho

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4.3 A causalidade dos acidentes de trabalho

A concepção do acidente do trabalho como fruto do azar, segundo Kouabenam (1999) apud Baumecker (2000), remonta a períodos muito antigos. O autor comenta que para Paracelso (1493 – 1541) os acidentes escapavam de qualquer causalidade e que eram fruto dos caprichos de demônios subterrâneos e que “tais explicações fatalistas se originam na própriahistória da humanidade, estando ancorada firmemente nas representações populares onde o acidente, a morte e qualquer outra forma de sofrimento são considerados como um preço a pagar pela violação da ordem estabelecida. Aliada à idéia de fatalidade aparece a da causalidade pessoal uma, vez que o azar é pessoal”. À idéia da fatalidade está amiúde associada o conceito do acaso. Ocorre que, conforme nosensina Ruelle (1993), a interpretação científica do acaso começa pela introdução das probabilidades e o acidente não se caracteriza por ter distribuição uniforme no tempo, no espaço e nos grupos humanos, tendo determinantes, entre outros, de caráter econômico, político e social.
Estando superada a compreensão do acidente do trabalho como fruto da fatalidade, onde sua ocorrência seria completamentetramada no insondável à percepção humana, descortina-se o desafio de estudar e apreender o fenômeno de maneira multicausal, identificando seus determinantes da forma mais ampla possível, ensejando a concepção de medidas necessárias à prevenção de acidentes semelhantes ou que tragam, em sua estrutura, elementos materiais ou imateriais comuns àquele objeto de análise. Embora seja nítido oentendimento que cada acidente é único, é possível identificar na sua dinâmica e estrutura elementos que podem vir a atuar como suporte para outros eventos que se deseja evitar.
O grande argumento teórico e prático que sustenta a necessidade de promover exaustivas investigação e análise dos acidentes é a prevenção; é a possibilidade de conceber e implementar medidas de prevenção que sejam capazes deeliminar a chance da ocorrência de acidentes semelhantes ou que tenham na sua rede de causalidade aspectos comuns àqueles acidentes objeto de análise. Nesse sentido, desde suas primeiras versões, o método da árvore de causas traz referências à noção de focos de risco ou de rubricas, conceito esse que evoluiu para os denominados fatores potenciais de acidentes.
Embora haja algumas identidades, o termonão deve ser confundido com os chamados fatores de riscos da técnica do mapa de riscos. Conforme enunciado por Nahas; Vago (2002), “fator de risco é uma condição ou um conjunto de circunstâncias que têm o potencial de causar danos à saúde, à integridade física das pessoas, ao ambiente, ao processo ou aos equipamentos, ou seja, é tudo aquilo que tem o potencial de causar danos”.
Um fator potencialde acidentes não precisa causar diretamente o dano, pode estar associado ao acidente embora alheio à cena do acidente ou mesmo ter caráter imaterial como os aspectos organizacionais e/ou culturais. Por conta de sua natureza, não é razoável considerar como fator potencial de acidentes aquelas situações representadas pelas ausências das mais elementares medidas de prevenção de acidentes, previstas nalegislação específica ou de imediata percepção numa inspeção no ambiente de trabalho.
É possível que seja regra geral, mas com certeza na indústria há um elevado grau de dependência entre as políticas de segurança e manutenção; o fracasso de uma não significa o sucesso da outra. Nesse caso, em particular, a comunicação, tanto como manifestação cultural, quanto como política normativa da empresa,desempenha importante papel no estabelecimento de um regime cooperativo entre as atividades de manutenção e as exigências da segurança. O acidente da Piper Alpha é exemplo histórico do quão grave pode se tornar a não comunicação de uma intervenção da manutenção a uma equipe que está assumindo o seu turno de trabalho (Paté-Cornell, 1993). Na aviação civil, segundo Reason; Maddox (1998), a...
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