A cara da escola

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”

Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática













A CARA DA ESCOLA: UMA PROPOSTA DE CENÁRIO PARA INVESTIGAÇÃO







Angélica Raiz

Rodrigo de Souza Bortolucci

Sílvio César Otero Garcia











Rio Claro/SP

Fevereiro de 2010

INTRODUÇÃO

Para Skovsmose (2008) as aulas dematemática hoje em dia, em geral, separam-se em dois momentos: o primeiro de apresentação de algumas técnicas e idéias pelo professor e o segundo de resolução de exercícios por parte dos alunos. Há apenas uma pequena variação no que diz respeito aos tempos, isso é, algumas aulas são mais focadas no primeiro momento, outras no segundo. Com base em outras observações, e também nessa, o autor conclui que aEducação Matemática tradicional está fortemente baseada no que ele chama de paradigma do exercício.
Dentro desse contexto, os exercícios são elaborados por alguém externo a sala de aula (autor do livro didático), não se discute o exercício em si (apenas a resolução) e somente uma resposta é considerada, sendo esse último ponto a premissa central do paradigma. Mas, como contrapô-lo? ParaSkovsmose (2008), a melhor maneira é através de uma abordagem de investigação, utilizando-se cenários para investigação, que são aqueles que dão suporte a um trabalho de investigação, que convidam os alunos a formular questões e procurar explicações. O autor lembra, ainda, que ser um cenário para investigação é uma propriedade relacional, que depende não só da natureza da atividade mas da maneira como oprofessor e os alunos se relacionam com ela. Por exemplo, os alunos podem não aceitar o convite para investigação, o professor pode abordar a atividade como uma série de comandos e reduzi-la a um exercício.
Qual seria o interesse em se trabalhar com uma abordagem de investigação? O interesse de Skovsmose (2008) está na sua relação com a Educação Matemática Crítica, cujas preocupações incluem odesenvolvimento da Matemacia.

“Matemacia (sic) não se refere apenas a habilidades matemáticas, mas também à competência de interpretar e agir numa situação social e política estruturada pela Matemática.” (SKOVSMOSE, 2008, p.16)


Para Skovsmose (2008) parece não haver muito espaço no paradigma do exercício para o desenvolvimento da Matemacia nem da autonomia intelectual do aluno.“A autonomia intelectual é caracterizada em termos da consciência e da disposição dos alunos para recorrer às suas próprias capacidades intelectuais quando envolvidos em decisões e julgamentos matemáticos. A autonomia intelectual pode ser associada a atividades de exploração e explicação, como nos cenários para investigação.” (SKOVSMOSE, 2008, p.37)


Nesse contexto, numatentativa de contribuir para os primeiros passos em direção a mudança desse paradigma, apresentamos nesse minicurso uma proposta de cenário para investigação envolvendo estatística e uso de planilhas eletrônicas. Mas, por que trabalhar com estatística?
A Estatística, hoje, é vista como um instrumento fornecedor fundamental de informações na tomada de decisões baseada em fatos e dados (NETO,2002). Ao abrirmos um jornal, não é difícil encontrarmos gráficos, tabelas e dados. Em época de eleição, então, as pesquisas de intenção de voto estão presentes a todo momento na mídia. Desse modo, fica clara a necessidade de se trabalhar com conteúdos que possibilitem aos estudantes “tratar” a informação que recebem em seu dia-a-dia, aprendendo a trabalhar com dados estatísticos, gráficos etabelas. A esse respeito nos diz os PCNs – Matemática:


“A compreensão e a tomada de decisões diante de questões políticas e sociais também dependem da leitura e interpretação de informações complexas, muitas vezes contraditórias, que incluem dados estatísticos e índices divulgados pelos meios de comunicação. Ou seja, para exercer a cidadania, é necessário saber calcular, medir,...
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