A car di cara

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  • Publicado : 24 de agosto de 2012
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Houve um tempo em que eu acreditava em tudo. Em mentiras, em promessas, em destino feito por nós mesmos, em estrelas cadentes, em sorte e azar. Mas uma pessoa mudou isso em mim. Mudou o que eu pensava sobre tudo, minha visão sobre o mundo.
Mudou meus planos, meus princípios e verdades, meus desejos e vontades. Mudou minha vida, me mudou. Eu acreditava que nós fazíamos o quequiséssemos, mas aprendi que nada é por acaso. Tudo acontece por uma razão.

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Ele era uma pessoa comum, no início. Não era importante, não fazia falta, mas isso mudou, e talvez tenha sido a melhor coisa que já me aconteceu…
Tudo começou quando eu tinha apenas 16 anos e ele 17. Não posso dizer que foi amor a primeira vista, mas eu sei que algo de especial aconteceu no momentoem que o vi pela primeira vez.
Estava John e seu livro e de repente eu chego e sento ao seu lado, depois de algumas trocas de olhares surge um: oi, bonito e singelo e nós dois mal sabíamos que esse oi era capaz de mudar nossas vidas de uma hora para outra. Começamos a conversar e descobrimos que tínhamos várias coisas em comum, gostávamos das mesmas bandas, das mesmas comidas, do mesmo tudo.[pic]

Ele era engraçado, simpático, lindo, e foi por ele que eu me apaixonei. Mas foi muito difícil conquistá-lo, pois logo depois que nos conhecemos ele começou a namorar outra guria e eu tinha que ver os dois juntos e fingir uma felicidade que eu estava longe de sentir para que ele não percebesse os meus sentimentos e se afastasse de mim.

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Logo, o namoro não deu certo eeu tive a chance de amar e me deixar amar pelo homem que eu queria para mim.
  Certo dia, eu perguntei algo que nunca havia perguntado. O assustei, não com a pergunta, mas com a forma como perguntei. Eu costumava falar num tom de voz baixo, mas sussurrei a pergunta, com a cabeça baixa, sendo que tinha o costume de olhar nos olhos da pessoa com quem conversava quem quer que fosse ela.
Euperguntei se eu já havia amado alguém. Era estranho, pois não havia nada que ele não soubesse sobre mim, pensava eu. Apesar de estar espantado, a resposta foi sincera e tímida. “Não”, eu disse, observando seu rosto. Ele gemeu alguma coisa que eu não entendi.
Eu o observei por alguns longos minutos. Queria que aquela imagem ficasse para sempre em minha memória. Quando foi que eu olhei para eleassim? Quando foi que eu procurei imperfeições nele, e não encontrei? Como é que eu nunca notei a pinta que ele tinha no queixo, suas sardas claras, o formato de sua boca ou a mistura de verde e caramelo que seus olhos tinham? Como foi que eu nunca notei sua beleza? Ele era lindo.
Incrível e absurdamente lindo. Queria ficar ali, para sempre, olhando-o sob a luz clara do crepúsculo. Suasbochechas coraram, e eu percebi que aquele silêncio já estava constrangedor. Foi difícil ir embora, mas eu fui.
Quando cheguei em casa, naquela noite, subi as escadas sem hesitar na porta e fui direto ao quarto. Imersa
em pensamentos, deitei na cama, afundando o rosto no travesseiro.
O que estava acontecendo comigo? Senti a necessidade de ouvir a resposta de alguém. Do meu melhor amigo,talvez. Peguei o telefone e disquei o número sem hesitar. Ele atendeu rapidamente, com a voz rouca.
Eu não disse nada. Algo na voz dele me imobilizou. Ele também não disse nada. Até o som do silêncio eu podia ouvir; era constrangedor. Eu quase pude ouvir seus pensamentos, junto a sua respiração. Queria perguntar mil e uma coisas, mas um nó se formou em minha garganta.
Depois de algunsminutos, consegui falar. “Como é amar?”, perguntei num sussurro fraco e rouco. Foi meio estranho perguntar. Um silêncio cruel e doloroso preencheu o ar. Queria acreditar que o som que rompeu esse silêncio, não era o som de suas lágrimas.
Alguns outros minutos de silêncio se seguiram. “Ouvi falar que é estranho. E realmente é…”, ele começou. Esperei. “Ouvi falar que a gente perde o chão,...
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