A avaliação das aprendizagens em matemática: um olhar sobre o seu percurso

Páginas: 36 (8990 palavras) Publicado: 8 de janeiro de 2011
A avaliação das aprendizagens em Matemática: Um olhar sobre o seu percurso

Leonor Santos Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências CIEFCUL, Projecto DIF

Numa época em que se começa a concretizar uma nova organização curricular no ensino básico, importa trazer para o primeiro plano o debate sobre temas de avaliação. Isso significa retomar discussões que já não são novas – e quecorresponde a problemas, tanto de concepção como de prática pedagógica, nunca resolvidos – mas, ao mesmo tempo, fazendo-o em estreita ligação com a evolução recente no domínio das orientações curriculares. (Abrantes, 2002, p. 9)

As palavras de Paulo Abrantes que escolhi para iniciar este texto dizem respeito a 2002, período em que se vivia um processo de renovação curricular, em particular no EnsinoBásico. Esse movimento procurava então alterar o que tinha sido a última reforma curricular que aconteceu nos finais dos anos 80. Poder-se-á afirmar que é apenas a partir desta época que em Portugal a avaliação das aprendizagens em Matemática começa a fazer parte da agenda, constituindo apenas uma questão entre um conjunto mais vasto de preocupações curriculares. Questões relativas ao ensino eaprendizagem da Matemática estão na ordem do dia. Diversos documentos internacionais exercem uma forte influência no nosso país. A título de exemplo refiram-se o relatório Crockcroft (1982) e os primeiros Standards (1989/91). Estes e outros documentos reforçam a viragem na forma de entender a natureza da matemática e o seu ensino e aprendizagem. De uma concepção absolutista da matemática, que a encaracomo um corpo de conhecimento objectivo, fixo, certo, neutro (Ernest, 1991), a destaca-se uma perspectiva da matemática falibilista, mais interrelacionada com a resolução de problemas uma vez que esta é vista como uma criação e invenção humana, em desenvolvimento. De uma listagem de regras e propriedades entender-se a matemática como uma ciência de

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padrões (National Research Council, 1989).Ensinar não é mais visto como sobretudo a transmissão rigorosa de informação, mas é primordialmente a construção de situações em que o aluno se possa envolver de forma a desenvolver a sua competência matemática. A aprendizagem não é a absorção de informação fragmentada, resultante de uma prática repetitiva, mas sim ocorre através de experiências matemáticas ricas e significativas. “Sabermatemática é fazer matemática” (NCTM, 1989/91, p. 8).

É neste cenário que acontece o seminário de Vila Nova de Milfontes, em 1988, que teve como um dos seus principais impulsionadores e responsáveis Paulo Abrantes. Este encontro constituiu um momento marcante na discussão das questões curriculares em educação matemática em Portugal. Nele, a avaliação, embora ainda sem grande visibilidade, começa a serdiscutida1. É chamada a atenção para a sobrevalorização da componente sumativa da avaliação e o uso quase exclusivo dos testes escritos. Nas orientações então preconizadas aponta-se para a necessidade de se alargar o âmbito da avaliação, privilegiando a sua vertente formativa, nela se incluindo a auto e a heteroavaliação, e o desenvolvimento de processos avaliativos coerentes com as outrascomponentes curriculares, nomeadamente de natureza diversa e adequados à especificidade dos alunos (APM, 1988).

Poucos anos depois, em 1991, a APM organiza um seminário apenas dedicado ao tema da avaliação. Das recomendações para a avaliação em educação matemática resultantes de dois dias de encontro é feita especial referência à necessidade das instituições de formação de professores darem maiordestaque a esta temática, de ser criada uma linha de apoio a nível governamental para projectos sobre avaliação e da constituição de um grupo de discussão na APM para a continuação da discussão e reflexão em torno da avaliação (Guimarães; Leal & Abrantes, 1991).

No período que medeia estes dois momentos, inicia-se o projecto Mat789, coordenado por Paulo Abrantes (Abrantes et al., 1997). É no...
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