A arvore filogenética dos hominídeos

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  • Publicado: 30 de outubro de 2012
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A Arvore Filogenética dos Hominídeos

Há cerca de 5 milhões de anos, o grupo de primatas que habitava a selva africana subdividiu-se, o que originou, posteriormente, os primeiros hominídeos, antepassados bípedes dos seres humanos.
Os estudos de ADN realizados em fósseis primitivos permitem averiguar tanto sua idade como os vínculos entre as diferentes espécies de hominídeos; cada novadescoberta aproxima-se da origem do homem.
A partir dai a comunidade cientifica procura reconstruir complexas árvores filogenéticas para apontar o caminho da evolução de nossa espécie.

Como é de conhecimento comum, a mais tradicional representação da teoria da evolução é uma fila indiana de hominídeos, liderada pelo Homo sapiens, tendo como maior retardatário um animal bípede de feições simiescas, oAustralopithecus, ou mesmo um pequeno chimpanzé. Qualquer um já se deparou com tal ilustração, seja em peças publicitárias, charges humorísticas, outdoors, camisetas, obras religiosas que pretendem discutir conceitos científicos, e mesmo em livros e revistas de divulgação científica. Para a cultura pop, essa figura, chamada de iconografia canônica por Stephen Jay Gould no seu livro “VidaMaravilhosa”, é sinônimo de evolução darwiniana, e é igualmente equalizada à ideia de progresso. Apesar de onipresente, a iconografia carrega incorreções e ranços que empobrecem a concepção popular sobre as ciências da vida no geral, e sobre a teoria da evolução em particular.

Na interpretação corrente da iconografia da evolução, o primeiro indivíduo de uma série é tido como o mais primitivo, a partir doqual surge outro, "mais evoluído”, em um contínuo linear de transformações e substituições que culminaria no homem como ápice do processo evolutivo (algo como a obra prima da natureza).

A visão do mundo natural como uma arena onde organismos vivos digladiam-se permanentemente, em uma luta sem fim por recursos que garantam sua sobrevivência e a manutenção dos seus genes na descendência,encaixa-se de forma perfeita a esse cenário: os Australopithecus, menos adaptados ao ambiente em que viviam, ao se depararem com um grupo mais forte e com melhores possibilidades de sucesso reprodutivo em uma competição direta por suprimentos e fatores essenciais à manutenção da vida, foram massacrados pela espécie sucessora até sua completa extinção. A supremacia do vencedor, no entanto, teria duradoapenas até o surgimento de outro primata melhor adaptado, e esse processo continuou por milhões de anos, até o nascer do Homo sapiens, que dominou seus predecessores diretos – e também os não tão diretamente relacionados a ele – e passou a reinar absoluto sobre o restante do mundo natural.

Se generalizarmos o raciocínio usualmente empregado para compreender a iconografia canônica, extrapolando arepresentação da linha evolutiva para uma gigantesca fila contendo todas as espécies que passaram pelo planeta, iniciada pelo primeiro organismo vivo e tendo, mais uma vez, o homem na linha de frente, chegaremos à conclusão lógica de que a única forma de vida que deveria existir no planeta é o Homo sapiens, uma vez que todos os grupos que o precederam teriam sido dizimados pelos seus descendentes.Todos os demais grupos biológicos deveriam, necessariamente, ter sucumbido durante a evolução, substituídos por outros “melhor adaptados” às condições naturais cambiantes. Isso está correto? Basta abrir a janela ou olhar para a pia cheia de restos fungados de comidas em uma república de estudantes para sabermos que a resposta, obviamente, é não.

Da iconografia clássica da teoria da evoluçãogeralmente se depreende a falsa ideia de progresso evolutivo, algo que remonta ao conceito de Scala Naturae ou “Grande Cadeia dos Seres”, segundo a qual todos os organismos poderiam ser organizados de forma linear e progressiva, começando do mais simples até o mais complexo – em algumas representações, o degrau mais baixo é tomado pelos elementos fundamentais da natureza (ar, terra, fogo, água) e...
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