Xadrez

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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO CEARÁ DIRETORIA DE GESTÃO DE PESSOAS COORDENADORIA GERAL DE SELEÇÃO E CONCURSOS CONCURSO PÚBLICO – CARREIRA TÉCNICO-ADMINISTRATIVA – EDITAL 04/GR-IFCE/2011 CARGO: TÉCNICO EM AUDIOVISUAL LÍNGUA PORTUGUESA
TEXTO 1 UM AMIGO POR UM DEFUNTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 3839 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 Quanto à outra pessoa que teve a força obliterativa, foi o meu colega Escobar que no domingo, antes do meio-dia, veio ter a Mata-cavalos. Um amigo supria assim um defunto, e tal amigo que durante cerca de cinco minutos esteve com a minha mão entre as suas, como se me não visse desde longos meses. – Você – janta comigo, Escobar? – Vim para isto mesmo.Minha mãe agradeceu-lhe a amizade que me tinha, e ele respondeu com muita polidez, ainda que um tanto atado, como se carecesse de palavra pronta. Já viste que não era assim, a palavra obedecia-lhe, mas o homem não é sempre o mesmo em todos os instantes. O que ele disse, em resumo, foi que me estimava pelas minhas boas qualidades e aprimorada educação; no seminário todos me queriam bem, nem podiadeixar de ser assim, acrescentou. Insistia na educação, nos bons exemplos, "na doce e rara mãe" que o céu me deu... Tudo isso com a voz engasgada e trêmula. Todos ficaram gostando dele. Eu estava tão contente como se Escobar fosse invenção minha. José Dias desfechou-lhe dois superlativos, tio Cosme dois capotes, e prima Justina não achou tacha que lhe pôr; depois, sim, no segundo ou terceirodomingo, veio ela confessar-nos que o meu amigo Escobar era um tanto metediço e tinha uns olhos policiais a que não escapava nada. – São os olhos dele, expliquei. – Nem eu digo que sejam de outro. – São olhos refletidos, opinou tio Cosme. – Seguramente, acudiu José Dias; entretanto, pode ser que a senhora D. Justina tenha alguma razão. A verdade é que uma coisa não impede outra, e a reflexão casa-semuito bem à curiosidade natural. Parece curioso, isso parece, mas... – A mim parece-me um mocinho muito sério, disse minha mãe. – Justamente! confirmou José Dias para não discordar dela. Quando eu referi a Escobar aquela opinião de minha mãe (sem lhe contar as outras, naturalmente), vi que o prazer dele foi extraordinário. Agradeceu, dizendo que eram bondades, e elogiou também minha mãe, senhoragrave, distinta e moça, muito moça... Que idade teria? – Já fez quarenta, respondi eu vagamente por vaidade. – Não é possível! exclamou Escobar. Quarenta anos! Nem parece trinta; está muito moça e bonita. Também a alguém há de você sair, com esses olhos que Deus lhe deu; são exatamente os dela. Enviuvou há muitos anos? Contei-lhe o que sabia da vida dela e de meu pai. Escobar escutavaatento,perguntando mais, pedindo explicação das passagens omissas ou só escuras. Quando eu lhe disse que não me lembrava nada da roça, tão pequenino viera, contou-me duas ou três reminiscências dos seus três anos de idade, ainda agora frescas. E não contávamos voltar à roça? – Não, agora não voltamos mais. Olhe, aquele preto que ali vai passando, é de lá.Tomás! – Nhonhô! Estávamos na horta da minha casa, e opreto andava em serviço; chegou-se a nós e esperou. – É casado, disse eu para Escobar. Maria onde está? – Está socando milho, sim, senhor. – Você ainda se lembra da roça, Tomás? – Alembra, sim, senhor. – Bem, vá-se embora. Mostrei outro, mais outro, e ainda outro, este Pedro, aquele José, aquele outro Damião... – Todas as letras do alfabeto, interrompeu Escobar. Com efeito, eram diferentes letras, esó então reparei nisto; apontei ainda outros escravos, alguns com os mesmos nomes, distinguindo-se por um apelido, ou da pessoa, como João Fulo, Maria Gorda, ou de nação como Pedro Benguela, Antônio Moçambique... – E estão todos aqui em casa? perguntou ele. – Não, alguns andam ganhando na rua, outros estão alugados. Não era possível ter todos em casa. Nem são todos os da roça; a maior parte ficou...
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