Viva seus dias de rock , se entorpeça de musica !

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  • Publicado : 5 de dezembro de 2012
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Os Dias do Último Rockeiro Morto

Dudu Tarcísio

CAPITULO 1
O último Rokeiro Morto

O céu de Santinho estava em um daqueles dias. A lua era cheia, em cor de metal, espalhada e derretida pelas ruas da cidadela. O teto de estrelas maiores do que as que habitam o resto do mundo, e o barulho da represa batendo na cara da borda era ensurdecedor, como não fosse em tom de impacto e sim deternura, beijando em par.
Distante algumas centenas de quilômetros da capital Belo Horizonte, ali o tempo passava mais devagar, as pessoas pareciam ser mais felizes, marcadas de sol, e de boa vizinhança, numa simplicidade que se comparava ao semblante do velho mineiro Chico Xavier. O pescador tomava aguardente que ele preparava no próprio quintal de casa, na companhia do padeiro ranzinza e da dona decasa obesa. Todos sorriam e contava causos que até Deus duvidaria, mais de alguma forma eles acreditavam. As crianças brincavam juntas, meninos e meninas, de bola nas ruas verticais, elástico, bola de gude, cobra cega, pique esconde, e amarelinha, em pleno século XXI, onde a tecnologia comeu o rabo dos menos favorecidos. Alguns assistiam televisão na sala de casa, com todas as janelas e portasabertas. Falavam alto, para o vizinho do outro lado da rua, comentários sobre as novelas que ali se deliciavam. O clima era o mesmo de todos os anos e parecia que os moradores locais viviam 500 anos sem alterações nem mortes, talvez por força de alguma coisa sobrenatural. Nada mudava. Ninguém se importava com esse pequeno detalhe...
De alguns dias pra cá, houve grande comoção na cidadela, em tom dealegria e novidade pela chegada de novos moradores. Uma família que parecia ser simples e caseira, pai, mãe e filho que se encontravam ali por volta de uma semana.
Seria mais um turista na cidadela? Homem de negócios e cara feia visitando o lugar com seus herdeiros nada felizes e enojados, acompanhado de sua mulher cansada de ser traída em cabarés de luxo e levando a tira colo seus antidepressivospara um futuro baque. Turismo feito para que de alguma forma se tampe o sol com a peneira, e finja tirar o stress da capital, depois de semanas chatas dentro do escritório, com uma gravata nojenta que enforca as veias, que o próprio usuário da peça de vestuário escolheu pra si enquanto se matava de trabalho e estudo?
Seria mais um casal, de metidos a hippies no auge dos seus vinte e poucosanos? Ele de barba grande, camisa do Bob, cigarro de palha, tatuagem de algum dragão ou letras japonesas em um corpo atlético de bomba e musculação... Ela de saia grande indiana, piercing no nariz, tatuagem de fada atrás da orelha e toda preocupada com os cremes capilares, e todo o esforço para que se valha a pena a constante presença no salão de beleza... Nos tempos de hoje aplausos pra quem carregao movimento hippie de verdade no coração.
Seria mais um casal de velhos senhores? Lindos e de consciência tranquila, descansando na terra do nada, esperando pela morte, deitados juntinhos naquela cidadela sem barulho, caseira e sem luxo, pacata como o céu em dias que os anjos descansam e insistem não fazer nada, enquanto Deus resolve dormir roncando feliz em cima de alguma nuvem confortada dealgodão, com algum vinho barato de lado...
Não, não era nenhuma das opções acima citadas. Em Santinho quem estava era João Daniel, mais na cidadela ele era o simples João, homem de fama, moço de histórias ferrenhas, ilícitas, controversas e endiabradas. Adulto velho de cabeça, mais andava como criança, dono de áurea forte, pausando em câmera lenta o lugar aonde entrava de uma maneira positiva ounão, causava dúvidas e êxtase nas pessoas presentes em qualquer paraíso ou buraco. Não era homem de ficar sorrindo a toa, mais quando sorria e na maioria do tempo de seus dias, era a essência de um gesto sincero. Sensações e sentimentos a flor da pele, fazendo um teatro de amor com ele mesmo, um romance que aliava em seus passos. Carrega consigo a paz de espírito aceso e inquieto, de suas largas...
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