Visão analítica e critica da saúde coletiva do brasil

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Visão Analítica e Crítica da Saúde Coletiva do Brasil

* Os primórdios da Saúde Pública no Brasil
Até 1808 a saúde no Brasil se limitava a pajelança e poções. O Rio de Janeiro, com uma população de 60.000 habitantes, possuía quatro médicos.
Foi nesse ano que a Corte chegou ao Brasil e com ela a criação das duas primeiras escolas de medicina do país: o Colégio Médico-Cirúrgico no RealHospital Militar da Cidade de Salvador e a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro.
E até a república foram essas as únicas medidas governamentais.

A saúde pública aparece no governo de Rodrigues Alves (1902-1906). O Brasil vivia o “boom” da borracha amazônica e a maioria dos negócios eram fechados na capital do país, o Rio de Janeiro. Se hoje a cidade é chamada de “maravilhosa” naqueles dias erachamada de “tumulo de estrangeiros”: a maioria das ruas não possuía calçamento, os esgotos eram lançados a céu aberto, a maioria vivia em cortiços, quando chovia surgiam milhares de poças de água estagnada cheias de insetos. Surtos de peste bubônica, varíola e febre amarela eram rotina. As mortes eram freqüentes.
Com um bom dinheiro em caixa Rodrigues Alves decidiu mudar isso: demoliu centenas deimóveis, expulsou moradores para a periferia, construiu avenidas, ruas calçadas, praças, enfim urbanizou o Rio de Janeiro.
E na parte sanitária contratou o médico Oswaldo Cruz, já uma celebridade na sua especialidade. Ele comandou um grupo que percorria as casas lacrando caixas d água, despejando petróleo em alagados, transferindo doentes para tratamentos e pulverizando inseticidas. As pessoasnão entendiam e até achavam graça – afinal a descoberta do meio de transmissão da malária fora dois anos antes.
Em um ano conseguiu reduzir 90% dos casos de malária. E praticamente extinguiu a peste bubônica no Rio ao exterminar quase 50.000 ratos por ano.
Restava a varíola, que matava uma média de 130 pessoas por semana. E o único jeito de acabar com ela era vacinando. Hoje parece banal mas aidéia de agentes do governo inoculando agentes da doença “adormecidos” nos corpos dos cidadãos era inadmissível. Até Rui Barbosa foi contra. O governo decidiu tornar a vacinação obrigatória – sem o atestado de vacina quase nenhum documento era emitido.
Os inimigos do presidente aproveitaram a situação para insuflar a revolta na população – que já vinha cansada dos desmandos e da inflação. Assimestourou a Revolta da Vacina, uma rebelião que resultou em 30 mortes.
Mas a vacinação foi feita e em dois anos o número de mortes causada pela varíola caiu de 3500 para apenas 9.

* Das CAPs ao SUS

Pouco depois, quando o Brasil recebeu os imigrantes europeus, uma boa parte deles formou a classe operária das grandes cidades. E depois de algum tempo passaram a exigir do empregador o queera comum nos seus países de origem: assistência médica.
Após manifestações e greves eles conseguiram: em 1923 surge a lei Elói Chaves, criando as Caixas de Aposentadoria e Pensão (CAP). Essas caixas eram das empresas e ofereciam serviços aos seus funcionários, sem participação do Estado. A primeira delas foi a dos ferroviários. Essas CAPs também concediam descontos em medicamentos,aposentadorias e pensões.
No começo da década de 30 Getúlio Vargas cria o Ministério da Educação e Saúde. As CAPs são substituídas pelos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs). Não havia muita diferença, exceto que quem passa a dirigir são os sindicatos das categorias financiados pelo imposto sindical. E, como no caso das CAPs, o Estado continuou fora do financiamento.
O Ministério se limitava a tomarmedidas burocráticas. Como o orçamento também era para a Educação pouco era investida na área.

O modelo dos IAPs era pulverizado, vinculado a cada categoria trabalhista. Muitos começaram a sonhar com um modelo unificado. Até que em 1960 isso aconteceu com a criação da Lei Orgânica da Previdência Social : todos os IAPs foram fundidos em um regime único para todos os trabalhadores regidos pela...
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