Violencia doemstica

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ARTIGO / ARTICLE

Violência de Gênero, Sexualidade e Saúde Gender Violence, Sexuality, and Health
Karen Giffin 1
GIFFIN, K. Gender Violence, Sexuality and Health. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 10 (supplement 1): 146-155, 1994. This article discusses some of the results of a recent review of international studies and data on violence against women, and on the health consequences of theseforms of violence, in which the perpetrator is normally an intimate male partner. The second part of the article develops questions related to the roots of such violence, including the social construction of gender identity, gender relations, and sexuality, within the dualist tradition which separates mind and body, emphasizes biological elements in sexuality, and defines men and women as radicallydifferent. In conclusion, it is argued that current criticisms of the dualistic vision are constructing a new, more integrated vision of both sexuality and human beings. Key words: Violence; Gender; Sexuality; Public Health

INTRODUÇÃO Nas sociedades onde a definição do gênero feminino tradicionalmente é referida à esfera familiar e à maternidade, a referência fundamental da construção socialdo gênero masculino é sua atividade na esfera pública, concentrador dos valores materiais, o que faz dele o provedor e protetor da família. Enquanto nestas mesmas sociedades, atualmente, as mulheres estão maciçamente presentes na força de trabalho e no mundo público, a distribuição social da violência reflete a tradicional divisão dos espaços: o homem é vítima da violência na esfera pública, e aviolência contra a mulher é perpetuada no âmbito doméstico, onde o agressor é, mais freqüentemente, o próprio parceiro. O PANORAMA INTERNACIONAL Num compêndio recente sobre a violência contra a mulher e suas conseqüências para a saúde, Heise (1994) analisa estudos internacionais que revelam alguns parâmetros desta questão.

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Departamento de Ciências Sociais da Escola Nacional de Saúde Pública.Rua Leopoldo Bulhões, 1480, 9º andar, Rio de Janeiro, RJ, 21041-210, Brasil.

Embora baseados em definições variadas do fenômeno estudado, 35 estudos de 24 países revelam que entre 20% (Colômbia, dados de uma amostra nacional) e 75% (Índia, 218 homens e mulheres num estudo local) das mulheres já foram vítimas de violência física ou sexual dos parceiros. Em estudos com amostras nacionais dosEstados Unidos e Canadá, 28% e 25% das mulheres, respectivamente, reportam que foram vítimas deste tipo de violência. Em cidades dos Estados Unidos, uma entre cada seis mulheres grávidas já foi vítima da violência dos parceiros durante a gravidez. Enquanto de 10% a 14% de todas as mulheres norte-americanas declararam que os maridos as forçam a fazer sexo contra sua vontade, naquelas que são vítimashabituais da violência física dos parceiros, esta cifra é de 40%, comparado com 46% na Colômbia e 58% na Bolívia e em Porto Rico. Na maioria dos países, incluído o Brasil, o estupro pelo marido é um fenômeno que não existe, legalmente. Quanto ao estupro em geral, Heise (1994) chama a atenção para seis estudos, nos Estados Unidos, que sugerem que entre 1/5 e 1/7 das mulheres norte-americanas serãovítimas de estupro durante sua vida. Dados obtidos de centros de atendimento a vítimas de estupro em sete países mostram que de 36% a 58% das vítimas de estupro ou tentativa de estupro têm

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Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 10 (supl. 1): 146-155, 1994

Violência de Gênero

menos de 16 anos; 18% a 32% têm menos de 11 anos; e em 60% a 78% dos casos, o agressor é uma pessoa conhecida.Dados dos Estados Unidos indicam que de 27% a 62% das mulheres sofrem pelo menos um evento de abuso sexual (não necessariamente estupro) antes dos 18 anos, enquanto um estudo do Governo do Canadá estima que 25% das meninas sofrem algum tipo de abuso sexual antes dos 17 anos. Um estudo sobre mães adolescentes num hospital de Lima revela que 90% das mães entre 12 e 16 anos tinham sido estupradas e...
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