Villa, Marco Antonio. A Revolução mexicana - resenha

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  • Publicado : 30 de agosto de 2013
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“Em 1910, para a surpresa geral, o México é sacudido pela primeira revolução do século XX. Envolvendo todas as classes sociais numa guerra civil que levou à morte 1 milhão de mexicanos; a etapa armada só se concluiu com a destruição do Estado porfirista e a construção donovo Estado”. É desta forma que Marco Antonio Villa inicia seu livro A Revolução Mexicana (1910-1940), a justificativa para o período de 1910 – 1940 ao tratar de Revolução Mexicana, são segundo o autor que em 1910 Francisco Madero lidera a derrubada armada a ditadura de Porfírio Diaz e destaca as realizações de Lázaro Cárdenas em 1940 promovendo varias reformas sócio-econômicas no estado mexicano.Marco Antonio Villa possui mestrado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1989) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1993). Atualmente é professor da Universidade Federal de São Carlos, e em sua carreira, já escreveu e publicou mais de vinte livros, que tratam de temas diversos, da Idade Média à Revolução Mexicana. Polêmico, o historiador faz críticas diversas comoao assistencialismo e mais recentemente contra o movimento passe livre e onda de manifestações pelo Brasil.
 O problema agrário no México é de grande relevância e ganhou ainda mais força durante o porfiriato. A questão agrária e os conflitos de classe causados pelo controle da terra estão presentes na história mexicana desde o período colonial, tão importante é o assunto que a independência tevecomo pano de fundo a questão agrária. Porfírio Diaz, responsável pelo desenvolvimento do capitalismo mexicano, apoiado no ingresso de capitais e empresas estrangeiras e em uma política antipopular, foi um verdadeiro ditador para com o povo mexicano. O governo de Diaz foi dominado por uma burocracia positivista responsável pelo desenvolvimento do capitalismo associado e pela política repressiva àscamadas populares, como mostra as ações dos rurales. Apoiou-se ainda no exército, que possuía a função de polícia do Estado e na Igreja Católica, que apesar de estar proibida de possuir propriedades que não se destinassem ao culto, possuía grande liberdade de ação.
Nesse governo com o objetivo de criar um capitalismo nacional com investimentos estrangeiros, o processo de expropriação das terrasdos camponeses e indígenas se acelerou. Com as leis de 1893 e 1894, são expropriados cerca de 50 milhões de hectares e em 1910, menos de 5% das terras estavam nas mãos de comunidades ou dos pequenos proprietários. A principal base de apoio da ditadura foi a camada latifundiária; estes os grandes beneficiários da política do governo, que eliminou o ejido possibilitando maior concentração fundiáriae a formação de grande contingente de camponeses explorados. O endividamento é comumente usado como instrumento de controle dos camponeses pelos latifundiários, reforçado pelo apoio do exercito, dos rurales e das autoridades locais.
O que teria provocado à derrubada da ditadura de Díaz, tão solidamente implantada e contando com aliados externos e internos tão poderosos? Sem duvida foram osmovimentos de oposição como o organizado por Francisco Madero, que em 1909 publicou a obra A Sucessão Presidencial. Madero, originário de uma família de latifundiários do Norte, estava empenhado em propagar a bandeira de não reeleição, Madero acabou por aprofundar a desintegração do bloco conservador.
 Aos poucos, a opinião pública se dividiu entre os partidários de Díaz e aqueles que apoiavamMadero. Após uma fracassada entrevista entre o ditador e Madero, em 1910, na qual Díaz recusou o nome deste para a Vice-Presidência, foi a gota d’ água para a radicalização. Acusado de incitar o povo à rebelião, Madero foi preso, mas fugiu para o Texas, de onde foi redigido o Plano de San Luis Potosí, esse que exigia a renúncia de Díaz, eleições livres e propondo a restituição das terras confiscadas...
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