Vidas secas - resumo

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  • Publicado : 8 de outubro de 2011
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Resumo do Livro Vidas Secas - Graciliano Ramos
Vidas secas - Graciliano Ramos
            Desdita, miséria e fome dos retirantes
Vidas Secas (1938), um dos romances mais fortes de nossa literatura, pode ser visto como irmão de Morte e Vida Severina, não só pela temática, mas também pela linguagem direta, seca, cortante, livre da viciosa idéia de que o texto artístico precisa ser empolado eadjetivoso.
Note o emprego da ordem direta das orações, que em sua maioria são curtas.
É impressionante como esse romance consegue arrancar beleza de material tão simples.
De fato, Vidas Secas parece uma obra predestinada a superar limitações. É econômica em sua linguagem, sem ser pobre. É modernista, sem se preocupar em desacatar a norma gramatical. É regionalista, mas enfoca problemas que vãoalém do Nordeste. Aliás, esse último aspecto é o que mais se destaca. A abordagem principal da obra não é exatamente a seca, mas a presença em toda parte do binômio opressão-submissão, abrindo caminho para o massacre do caráter humano, também visto na dificuldade de linguagem de Fabiano e na animalização dele e de sua família.
Supera também limitações no campo da estruturação. Seus 13 capítulossão células, cada uma com sua própria identidade narrativa. Por esse motivo há quem lhe impute a classificação de livro de contos. No entanto, pode-se vê-la também como novela, pois essas pequenas células estão interligadas, pelo fato de possuírem as mesmas personagens, no mesmo ambiente, padecendo os mesmos problemas. É mais eficaz, no entanto, perceber a visão problemática que a obra empresta aoseu herói e ao seu mundo. Seria, portanto, um romance.
No primeiro capítulo, há a apresentação dos elementos básicos da narrativa. Fica-se conhecendo a família de Fabiano, retirante por causa da   seca. O mais interessante é o narrador informar que eram seis sobreviventes: o papagaio, a cadela Baleia, Fabiano, sua esposa Sinha Vitória, o menino mais novo e o menino mais velho. Dessa forma,igualam-se animais e humanos no massacre da seca.
É também importante lembrar que, no desespero da fome, o papagaio havia sido comido antes de iniciada a narrativa, pois era inútil: não sabia falar; latia. Sua incapacidade, no entanto, deve ser vista como perfeitamente lógica, pois não podia aprender a falar se o uso da linguagem é a principal dificuldade na família em que estava. O único integrantemais sociável, mais afetivo, é justamente Baleia.
Esse rebaixamento a que o narrador submete a família não está relacionado a qualquer preconceito em relação ao nordestino. Na verdade, o que se pretende é mostrar que o meio social em que estão inseridos é tão absurdo que os faz perderem a quase totalidade do caráter humano. Nesse aspecto, sua crítica torna-se extremamente aguda.
Comido o papagaio,não há mais o que os retirantes possam utilizar. Estavam fadados à morte. A sorte é que encontraram uma fazenda abandonada e pouco depois Baleia caça um preá para que possam comer. É o suficiente para garantir uma sobrevida de pelo menos mais um dia.
Satisfeito com essa chance, Fabiano passa a sonhar como seria sua vida de fazendeiro. Quanto a esse aspecto, dois fatos cruciais. O primeiro é comotodas as personagens trabalham com seus sonhos – são sempre jogados para um futuro impreciso, distante. É quase o mesmo que tornar essa felicidade impossível. É a realidade da opressão: não ter sonhos é perder o estímulo de vida. Então, o sistema dá vazão a só isso, sem permitir sequer o vislumbre de sua concretização.
Além disso, o trabalho que se faz com os verbos é bastante notável. Note amudança entre os verbos que relatam os sonhos de Fabiano (futuro do pretérito, o tempo da possibilidade) e ações da própria cena em si, em que o protagonista procura água (pretérito perfeito e imperfeito, tempo das ações realizadas). Essa virtuosidade vai-se realizar também no capítulo “Inverno”, por exemplo, com a descrição da seca em pretérito-mais-que-perfeito (adequado para relatar ações...
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