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Publicado na 11° Edição (Novembro e Dezembro de 2009) da Revista Linguasagem
www.letras.ufscar.br/linguasagem

GERATIVISMO E FUNCIONALISMO: ENCONTROS DE DIVERGÊNCIAS
Ana Fernandes Aguiar Gonçalves Cardoso1

“Porque, então, na linguística ainda há essas discussões – que geram
mais calor que luz – e em outros campos não ocorrem mais?”
Dillinger, 1991, p. 403
Introdução
A busca de estabelecer acientificidade nos estudos linguísticos teve em Saussure seus
primeiros resultados. Para a manutenção de seu ponto de vista, no entanto, exclusões importantes
foram necessárias, como o resíduo teórico que ficou estigmatizado e que deu fôlego às importantes
tentativas de reformulações da linguística, que procura estudar a fala, a língua em uso, o sujeito, o
falante... Todavia, é possível dizer que oestruturalismo influenciou de tal modo a essência de todos
os movimentos linguísticos que o sucederam, que nada mais ficou sem as marcas opositivas das
relações nos estudos referentes à linguagem.
Ao estabelecer a criação do objeto a partir do ponto de vista, Saussure abre caminho para
que em cada ponto da região onde circulam os elementos específicos das línguas – é possível falar
assim semvincular esta afirmação a qualquer das tendências que se opõem e abrangem a
representação humana – o ponto escolhido determine a teorização. Isso quer dizer que, se na relação
humana há, obrigatoriamente, linguagem, focalizar os estudos sobre quaisquer dos pontos de vista,
por exemplo, de quem fala, o que fala, a quem se fala, a possibilidade de falar, as intenções ou não,
o objeto que se materializanuma fala, é, justamente, a escolha do pesquisador e o que determina
como o estudo se desenvolverá.
É assim que quem ousa criticar campos diversos de seus próprios sem a devida consideração
sobre a disposição inicial de um pesquisador, sua inscrição teórica, bem como os objetivos aos
quais se propôs, pautando sua crítica apenas em sua própria perspectiva, acusando uma teoria, que
reprova, de não darconta de algum ponto relevante aos seus próprios olhos de crítico, não leva em

1

Mestre em Estudos Linguísticos pela UFU – Universidade Federal de Uberlândia-MG.

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conta qual seja a proposta daquela pesquisa. Seu insucesso, possivelmente, tem origem na
autocrítica.
Contraditoriamente, esta posição tem sido muito produtiva. Inclusive necessária, segundo o
que Lakatos afirma com sua noção deproliferação, a saber: é desejável que haja teorias em
competição (Borges Neto, 2004b, p. 94).
As oposições entre Gerativismo e Funcionalismo são mais antigas do que as assentadas em
poucas décadas do sec. XX. Há uma longa trajetória que liga o Gerativismo à tradição racionalista e
o Funcionalismo aos estudos sincrônicos e diacrônicos do sec. XIX.
Inicialmente, verificamos que há certo “pudor” deestabelecer como teoria certo sistema que
trate de princípios elementares de um conhecimento. Assim como Mattoso Câmara afirma que o
estruturalismo é um ponto de vista epistemológico, Borges Neto prefere atribuir ao Gerativismo o
estatuto de PIC (programa de investigação científica) (Borges Neto, 2004b, p. 96), como o designa
Chomsky.
Assim, nossa proposta neste trabalho é apresentar algumascontraposições entre duas
perspectivas de estudos linguísticos que muito dialogam pela sua abrangência e, também, por se
posicionarem em extremidades dos sistemas filosóficos (racionalismo/empirismo, forma/função,
universalismo/relativismo). A pertinência da noção de estrutura é mantida, mas com diferenças.
Enquanto se atribui a Saussure a preferência pela abordagem da estrutura a partir da morfologia efonologia, no gerativismo, verifica-se a estrutura a partir da sintaxe. Assim, entendemos que os
estudos da linguagem, atualmente, apresentar-se-ão, de alguma forma, sob uma dessas dicotomias.

Um ponto de partida, objetivos diversos

Inicialmente, é relevante considerar que, partindo para os estudos sobre a linguagem, há uma
multiplicidade de caminhos que podem ser escolhidos a depender do...
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