Veículos menos poluentes

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Entenda por que as montadoras precisam desenvolver veículos menos poluentes
 | 25.03.2008

Por Fernando Valeika de Barros

EXAME Já houve um tempo em que ecologistas e fabricantes de automóvel ficavam em cantos opostos do ringue, quando o assunto era poluição. Para os verdes, os veículos eram demonizados pela fumaça e ruído. Do lado das fábricas, por anos, meio-ambiente foi um assuntosecundário. Só que os tempos mudaram. No recente Salão do Automóvel Genebra, um dos principais eventos do gênero no planeta, os modelos eram expostos tendo como destaque não apenas o número de cavalos de seus motores ou a velocidade máxima atingida por eles, mas quantidade em gramas de dióxido de carbono emitida pelos seus escapamentos. Este dado, antes absolutamente ignorado, também já ganhou destaquenos salões do Automóvel de Detroit, em janeiro passado, no de Tóquio e no de Frankfurt, em setembro de 2007, indicando que há uma nova lógica no mundo dos carros. Com temas como aquecimento global e sustentabilidade ganhando cada vez mais importância para os consumidores, ninguém que produz carros quer parecer como vilão da poluição.


Por uma questão de estratégia, rapidamente, os departamentosde marketing de cada uma das empresas tentam capitalizar os progressos alcançados e, além do discurso verde, o que se vê uma floresta de siglas ecológicas – algum as delas bastante parecidas, por sinal – para tentar capturar a simpatia dos consumidores. Embalados por esta onda verde, os automóveis da Renault agora são ECO2, na alemã Opel, Ecoflex, na Ford ou  ECOnetic, na Volkswagen, BlueMotion,na Peugeot, BlueEfficency, na Mercedes  e por aí vai. Em outro front, milhares de pesquisadores se mobilizam para encontrar materiais mais fáceis de serem reciclados, quando o carro terminar a sua trajetória. Mexe-se até nos métodos de produção, com fábricas mais limpas e que gerem menos impacto ambiental.


É verdade que todos estes esforços feitos pelos fabricantes de automóveis para fazeremprodutos menos poluentes não caiu do céu e nem eles se tornaram defensores do ar do planeta por sua livre vontade. À medida em que os consumidores tornaram-se mais preocupados com a  ecologia, eles começaram a pressionar seus governos e o resultado foi um endurecimento cada vez maior na regra do jogo das emissões. Na primeira vez que a Comissão Européia entrou para colocar limites de poluição, em1983, ela instituiu um limite de 199 gramas de CO2 emitido por quilômetro rodado para que modelos novos não pagassem uma taxa adicional na hora da compra. Voltou a apertar o torniquete em outras duas oportunidades e, no ano passado instituiu-se um novo teto, ainda mais ousado : a partir de 2012 só estarão livre de impostos adicionais os automóveis que emitirem 130 CO2/g ou menos. Esta últimacanetada dos comissários europeus ameaçou acabar em guerra comercial no continente: de um lado ficaram os construtores de carros alemães, que ganham a maior parte do seu dinheiro com modelos maiores (e mais poluentes). Do outro, franceses e italianos, que tem automóveis menores (e portanto mais fáceis de se enquadrarem às novas leis).


Mesmo com o banho de siglas e um discurso mais ecológico deseus executivos, o fato é que como nunca a indústria automobilística está sentada no banco dos réus sob a acusação de ser uma das maiores responsáveis pelo aquecimento global e mudança climática. O Painel de Mudanças Climáticas de Paris reuniu 2.500 cientistas de 30 países e chegou á conclusão de que a queima de combustíveis fósseis é em boa parte responsável pelo aquecimento global.  Os cientistasavaliam que até 2100 a temperatura da Terra poderá subir entre 1,1 °C e 6,4°C e que isso causará modificações climáticas irreversíveis no planeta, do derretimento nas calotas polares, a chuvas torrenciais em algumas regiões e secas em outras. E os carros estão no olho deste furacão. “Sozinhos, os meios de transporte representam metade do consumo de petróleo e 22% das emissões de dióxido de...
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