Variações linguisticas: diatópicas e diastrática

1. INTRODUÇÃO
No Brasil cada região tem seus falares, cada grupo sociocultural tem o seu. Existem várias línguas dentro da oficial. A essa característica da língua damos o nome de variação lingüística. Todas as línguas variam, ou seja, não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma Tarallo, (1986). Em uma nação grande e extensa como a brasileira, a variaçãolingüística se constitui em um fato natural e inevitável, se considerada a heterogeneidade social e os diferentes graus de contato intergrupal das diversas comunidades aqui existentes.
As frases ditas por cada um de nós não são construídas por nós próprios, mas sim por tudo o que nos fez tornar o que somos hoje: nossa família, a terra em que nascemos e em que vivemos as escolas em que estudamos(principalmente nas séries iniciais), as pessoas com as quais convivemos, os livros que lemos, os filmes a que assistimos, enfim, nossa maneira de falar é formada, não é criada, sendo formada pouco a pouco.
De acordo com Borba (2008) as modalidades da língua, são caracterizadas por peculiaridades fonológicas, sintáticas e semânticas, determinadas, de um modo geral, por três fatores: o geográfico, osociocultural e o nível da fala; responsável pela variedade lingüística entre comunidades fisicamente distantes, resultando nos dialetos ou nos falares regionais.
A diferença pode não ser de som nem de vocabulário, podendo estar na frase toda. As diferenças lingüísticas entre as regiões são graduais, nem sempre coincidindo com as fronteiras geográficas,ou seja,pessoas que moram em outras regioes temformas diferentes de falar e cada regiao tem seu devido sotaque. Segundo Glauce (2010) a variação linguística mais evidente é a que corresponde ao lugar em que o cidadão nasceu ou no qual vive há bastante tempo. Há jeitos de pronunciar as palavras, havendo melodias frasais diferentes de região para região.
Assim, sem querer entrar em debates sobre o que é ou não regional/popular, para nós oregional é o que tem marca de uma região, a nordestina, por exemplo, ou de um estado. Já popular, tem a marca do falar do povo, das pessoas não alfabetizadas, ou pouco alfabetizadas.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1. AS VARIAÇÕES REGIONAIS E SOCIAIS
A descrição da língua portuguesa em suas variantes diatópicas e diastráticas, nos vários níveis de análise lingüística, é tarefa das mais importantes e das maisurgentes, para que se tenha um retrato fiel da língua portuguesa falada e escrita em nosso país.
Para Scarton e Marquart (1981, p.6) as múltiplas variações observadas no sistema lingüístico ocasionadas por fatores vários dão uma idéia multicolorida da língua, realçando seu caráter maleável, diversificado. Tal imagem corresponde a uma realidade evidente e desconhecê-la ou não levá-la emconsideração o suficiente, significa ter uma concepção mutilada da língua.
A variação mais famosa do Brasil é o “s” chiante do carioca da gema. É a mais famosa, mas não é a única. Outra bastante perceptível pelo visitante é o “r” retroflexo do londrinense quando pronuncia palavras como “porta, carne, certo” e do piracicabano quando pronuncia as mesmas palavras do londrinense e também as que têm “r” entrevogais: “cara, cera, tora”. Retroflexo significa “curvado para trás, flexionado para trás”. Na região de Pato Branco, pronuncia-se o “ele” de “alto” da mesma forma que o “ele” de “alô”.
 A essa variação, que corresponde ao lugar, dá-se o nome de variação diatópica. Essa palavra é formada pelos seguintes elementos:  “dia-“, prefixo grego que significa “através de, por meio de, por causa de”;“topos”, radical grego que significa “lugar”; “-ico”, sufixo grego, que forma adjetivos. 
A variação diatópica pode ocorrer, com sons diferentes. Quando isso acontecer, dizemos que ocorreu uma variação diatópica fonética, já que fonética significa “aquilo que diz respeito aos sons da fala. A diferença pode não ser de som, mas sim de vocabulário (palavras diferentes em sua estrutura). Exemplos:...
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