Van gogh, o suicidado da sociedade.

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  • Publicado : 27 de novembro de 2012
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Van Gogh, o suicidado da Sociedade.
ARTAUD, Antonin. Van Gogh: O suicidado da sociedade. Livreiros Editores e Distribuidores Ltda.
Podemos considerar Van Gogh um louco? Diante de tantos absurdos que vemos todos os dias pelo mundo, o que faria desse gênio, uma pessoa mais louca do que tantos outros, só por cortar uma de suas orelhas ou por assar uma de suas mãos? Nesse livro, Artaud levantaquestões sobre a sanidade de Van Gogh, sua loucura e sua morte, analisando algumas de suas obras, cartas a seu irmão, e a sociedade da época.
Afirmando que não é o homem, mas sim a sociedade que o fez anormal, o texto afirma que Van Gogh não era louco, mas sim mais um entre tantos alienados:
“Pois um alienado é, na realidade, um homem a quem a sociedade se nega escutar, e a qual quer impedir deexpressar determinadas realidades, insuportáveis” Pag 12
“No alienado há um gênio incompreendido que aloja em sua mente uma ideia que produz pavor, e que só pode encontrar no delírio uma válvula de escape para as opressões que a vida lhe apresenta.” Pag 25
Nesse mesmo tom de defesa, Artaud nos leva a pensar que esse pintor gênio não se suicidou, mas sim, foi suicidado pela sociedade, pois como opróprio autor nos diz, qualquer coisa por existir sem ter o trabalho de ser, e tudo pode ser, sem ter o trabalho de irradiar e rutilar. Mas Van Gogh que nunca temeu a vida, separava o ato de viver da ideia de existir.
“ Além do mais, ninguém se suicida sozinho. Nunca ninguém esteve só ao nascer. Tampouco alguém está só ao morrer. Mas no caso de um suicídio, é necessário um exército de seresmaléficos para que o corpo opte pelo ato terrível de dar fim à própria vida.” Pag 58
Compondo esse exército de seres maléficos que o levaram a morte, podemos citar duas importantes figuras na vida do pintor: Dr Gachet, o psiquiatra, e Théo, seu irmão. Cada um tinha um peso na vida de Van Gogh, e cada um teve sua parcela de ‘culpa’ por seu suicídio.
“O Dr. Gachet não dizia a Van Gogh que estava ali pararetificar sua pintura, mas o mandava pintar ao natural, sepultar-se em uma paisagem normal para evitar a tortura de seus pensamentos. Como se não estivesse interessado, mas mediante uma dessas desrespeitosas e insignificantes torcidas de nariz, na qual todo o inconsciente burguês da Terra inscreveu a força ancestral e mágica de um pensamento cem vezes renegado e reprimido.”

Dr Gachet, que eramédico, mas não psiquiatra (por isso o autor optou por chama-lo de psiquiatra improvisado) reprimiu, sufocou e matou o espírito livre e pensador de Van Gogh. “Vigie-o, para que não tenha mais esse tipo de ideias...”, “Entendeste? O doutor já te disse, deves abandonar essas tuas ideias...” “Te faz mal pensar sempre nisso; tu ficarás internado pela vida inteira...” Pag 31
“Mas não, Sr. Van Gogh,vamos, convença-se, tudo é pura casualidade; além do mais, não é bom examinar assim os segredos da Providência. Eu conheço o Sr. Fulano de Tal, é uma excelente pessoa; é seu espírito paranóico, de perseguição, que o leva a acreditar que ele pratica magia negra em segredo.” Pag 31
“Prometeram pagar e pagarão. Não deve continuar obstinado nessa idéia de que sua situação atual esteja sendo motivada peloretardamento e pela má vontade.” Pag 31
Segundo Artaud, Gogh ter morrido na casa do psiquiatra, mostra que o pintor não o via só como médico, mas também como amigo, como o único que aceitou receber pinturas em troca de seu tratamento. Seu irmão Theo também tem sua parcela de culpa. Ele sabia da insanidade de seu irmão, e ao invés de acompanha-lo para tentar entender, ele era apenas um bom irmãona parte material. Quando ele anunciou através de uma carta o nascimento de seu sobrinho, Gogh sentiu-se um peso, uma conta a mais, uma boca a mais para o irmão sustentar.
“As coisas vão mal pois a consciência doente tem o máximo interesse, neste momento, em não sair de seu estado doentio.” Pag 8. Van Gogh sentia-se doente, e acreditava que quando estava doente, estava possuído, por algo...
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