Valores humanos

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Capítulo 4


A Formação do Ego e os Valores


“Nenhum homem consegue fazer o que é convocado a realizar nesta vida a menos
que possa aprender a esquecer seu ego e
a atuar como um instrumento de Deus.”

W. H. Auden

O homem necessita sair do paraíso, para estar no mundo e seconstituir como indivíduo histórico. A perda da condição de plenitude e totalidade descrita nos mitos como uma queda, como a saída do estado paradisíaco, faz parte do processo do desenvolvimento da consciência humana. A emergência da consciência da individualidade é igualmente apresentada nos mitos, como semelhante ao processo de criação do mundo, como a divisão da totalidade primordial em opostos quese multiplicam infinitamente.
Com a perda do estado de totalidade, o ser humano entra no mundo temporal, da multiplicidade, da divisão. A quebra da totalidade original, a saída da condição de união com o Self, corresponde, no nível psicológico, ao corte do estado de simbiose da criança com a mãe, o que desperta a consciência da individualidade e com ela, o sentimento de estar separado dotodo. O resultado da saída do estado de plenitude com o Self e da simbiose com a mãe é a entrada no mundo do tempo e do espaço, a construção da individualidade, o estabelecimento do ego e a constituição do sujeito no mundo.
No processo de formação da noção de indivíduo, o ego emerge como o centro desse processo e é marcado pelos sentimentos de impotência, de fragilidade, de inferioridade,incapacidade e separação. Freud chamou de primeira castração a este estado psíquico, necessário o para o desenvolvimento da percepção do eu discriminado do outro. Por volta dos dois anos, a criança, vive a segunda castração; a percepção das diferenças sexuais e a entrada do pai, como a lei, o que completa a sua noção de indivíduo sexuado e diferente do outro. A criança é impelida a se identificarcom um dos sexos, o sexo que corresponde ao reconhecimento da sua forma corporal. Este momento do desenvolvimento da individualidade acentua ainda mais a ferida da castração e se caracteriza pelo surgimento de sentimentos de impotência, de fragilidade, de incapacidade e de inferioridade. Esta é a condição a que está sujeita o homem, a perda do estado de plenitude e a entrada no mundo daincompletude, da impermanência, do medo e da falta. A constatação de que o mundo material está submetido à lei da impermanência e da finitude, produz ainda mais, ansiedade, conflito, apego, egoísmo e medo da morte.
O ego carrega o sinal, a sina dos sentimentos de impotência, de incapacidade e de inferioridade, germes que irão dar origem, mais tarde, aos sentimentos de baixa auto-estima e as defesascontra esses sentimentos. Esses sentimentos fazem parte da condição humana adquirida com a formação do ego, são os efeitos colaterais do processo de desenvolvimento da noção de individualidade do ego.
Jung a esse respeito comentou.“Há na lenda da queda uma profunda doutrina; trata-se de um obscuro pressentimento de que a emancipação da consciência do ego era uma ação de Lúcifer. Toda ahistória do homem consiste, desde o início, num conflito entre o seu sentimento de inferioridade e sua arrogância”. 1
A queda nada mais é do que a ilusão da separação da Unidade, do Self, a a caída no mundo da multiplicidade, da temporalidade, a entrada na consciência temporal que impõe limitações e limites e que determina a perda do contato com o fundamento essencial do ser, o afastamentodo homem da sua alma e de Deus. Sendo a consciência do ego um fator básico de separação, ele impõe o término ao sentimento de unidade, desenvolve sentimentos de fragilidade, de insegurança, de angústia, de medo e elege a busca de segurança como a principal motivação da vida e a conseqüente limitação e empobrecimento da personalidade.
O ego é uma estrutura mental necessária que faz parte da...
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