Vale do jaguaribe historias e culturas

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Universidade Estadual do Ceará
Curso: História
Disciplina: História do Ceará 2
Professor: Eduardo Lúcio
Aluna: Alba Alves de Oliveira

Resumo de artigos da obra
“Vale do Jaguaribe histórias e culturas”
José Olivenor Souza Chaves [org.]

Quixadá /2011.

A obra reúne 16 artigos no qual esta dividida em quatro partes:
Primeira - sertão, cultura e trabalho.
Segunda – cidade, cultura, poder ereligiosidade.
Terceira – campo, e cidade: as doenças não têm fronteiras.
Quarta – escravidão e ciganos: um olhar histórico e antropológico.
Os artigos escolhidos são integrantes da primeira parte do livro.

* A luz da cera ilumina os sertões: experiências sociais dos trabalhadores da cera de carnaúba em Russas-CE (1910-1950).
*Adriana Ribeiro de Lima

Este artigo mostra de forma bastantepeculiar o processo de extração da palha e da produção da cera da carnaúba no município de Russas interior do ceara. Contudo é importante ressaltar que estamos falando da região baixa do rio Jaguaribe no qual teve inicio a ocupação civilizatória no século 16, em decorrência da criação de gado e por suas ricas fontes mais tarde explorada.
A composição da mata ciliar dos vales do Jaguaribe por Acaraú eApodi, além de outros tem a carnaubeira como preferencia destes solos, sendo eles argilosos aluviais e resistentes a um elevado teor de salinidade, tem as seguintes características: tronco único de 7 a 10m de altura podendo atingir ate 15m, as folhas são dispostas sendo um conjunto esferoidal de tonalidade verde, forma de leque de ate 1,5m de cumprimento, a lamina afixada ao longo do tronco érecoberta por espinhos rígidos em forma de unha de gato.
No vale do Jaguaribe a carnaubeira ocupa grandes extensões devido ao clima seco, ela também produz a cera que necessita de um período seco que vai de julho a dezembro, essa planta tem maior resistência ao clima seco devido suas folhas serem revestidas por uma camada de celulose.
O baixo Jaguaribe mesmo tendo sido ocupado no inicio do século 16,sua facção econômica só se desenvolveu a partir da segunda metade do século 19, através do extrativismo vegetal. A cera de carnaúba foi utilizada inicialmente para a produção de velas, como diz em um trechinho Dona Ana Cordeiro “[...] dava uma vela boa... iluminava a casa toda”.

Com a enorme utilização da cera na indústria a carnaubeira inseriu esta região no mercado internacional durante asdécadas de 1930 a 1950. A venda acelerada da cera de carnaúba possibilitou o desenvolvimento urbano do município de Russas, durante esse período muitas casas e prédios comerciais foram construídos, os comerciantes tinham bom lucro e assim formaram uma elite agraria tendo representatividade nas relações sociais do município.
Embora muitos não fossem grandes proprietários de terras onde se predominavaa carnaúba, esta representava fonte de riqueza e refugio para muitas famílias, assim como os homens tinham seu trabalho manual com a carnaúba para dela se retirar a cera, o pó cerífero e demais, as mulheres também tinham seus afazeres trabalhavam na confecção de tranças usadas para fazer bolsas, chapéus e outros produtos para o ambiente domestico dos camponeses, todo o dinheiro arrecadado com asvendas destinava-se as despesas da casa e as necessidades básicas dos membros da família.
De acordo com alguns depoimentos percebemos que os camponeses não tinham dificuldades em retirar da terra, da mata e da agua os necessários para viver assim enfrentavam a seca referida a de 1958 numa boa graças à exploração dos recursos da carnaúba.
Já em relação às relações sociais que se tinha entre opatrão e o trabalhador é muito interessante notar como o Sr. Joao Miguel as descreve: “o patrão é um homem bom, porque facilita as coisas”. O patrão a quem ele se refere é o dono do armazém no qual pagava direitinho tal quantia, sendo que o patrão lucrava mais que o dobro porque já vendia para o mercado exportador. Os trabalhadores, no entanto gostavam de seus patrões ate porque com a produção da...
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