Upp chegada da republica

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A “chegada da República”
As ações previstas para consolidar a pacificação partem do reconhecimento de que
as relações predominantes nas áreas onde a UPP retomou controle correspondiam a
ambientes onde as regras eram ditadas por grupos criminosos, que interferiam no
funcionamento da maioria dos serviços urbanos públicos ou privados, nas relações
comerciais e imobiliárias, na oferta ouregulação de esferas e bens culturais e coletivos e,
freqüentemente, nas relações privadas entre moradores ou mesmo dentro das famílias
(brigas entre vizinhos, desavenças conjugais etc.).
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Em pesquisa realizada em doze favelas que receberam UPPs até outubro de 2010,
dez cientistas sociais produziram relatos de caráter etnográfico (observação e entrevistas)
reunindo descrições elevantamentos sobre as principais características de cada comunidade
em relação aos seguintes aspectos:
• Mudanças em relação a serviços anteriormente regulados pelo tráfico/milícia (gás,
net, luz, água, moto, kombi etc.). Identificação de outros problemas graves de
infraestrutura, quando havia (limpeza, correios, esgoto, iluminação, trânsito etc.).
• Problemas surgidos após a retiradadas armas: regulação de som, festas, aluguel,
compra e venda imóveis, desavenças com vizinhança, além de serviços “assistenciais”
e de caridade anteriormente fornecidos pelos grupos armados, como pagamento de
enterros, cesta básica etc.
• Situação dos órgãos associativos (associações de moradores, comitês e redes de
líderes locais).
• Impressões sobre o relacionamento dos moradores coma polícia, especialmente dos
jovens.
• Impressões sobre o relacionamento dos policiais com os moradores (ouvindo
também os policiais da ponta e não apenas os oficiais).
• Impressões das lideranças comunitárias em relação à instalação da UPP, ouvindo
presidentes de associações de moradores, coordenadores de grupos de jovens,
produtores culturais, rappers, funkeiros, mototaxistas,donos de kombis, pastores,
padres, líderes de religiões de matrizes africanas, lideranças femininas e
comerciantes.
• Impressões dos gestores e servidores públicos (professores, diretores de escolas,
creches, pessoal de posto de saúde, quadra de esportes etc.) e de outros agentes
externos atuando na favela (ONGs, igrejas e grupos filantrópicos) em relação à
instalação das UPPs e a novasituação da comunidade.
• Identificação dos principais problemas, perspectivas e ideias de ações a serem
desenvolvidas pós instalação das UPPs nas comunidades.
As pesquisas foram desenvolvidas entre agosto e setembro de 2010 nas seguintes
favelas: Santa Marta, Batan, CDD, Babilônia / Chapéu Mangueira, Pavão / Cantagalo,
Tabajaras / Cabritos, Providência, Borel, Formiga e Andaraí. Entrenovembro e dezembro, as
comunidades Macacos e Turano também foram pesquisadas.
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O objetivo da pesquisa foi reunir elementos para o planejamento da implantação
posterior das UPPs Sociais, inventariar problemas e potencialidades de cada favela e criar
uma linha de base a partir da qual seria possível produzir análises comparativas ao longo dos
próximos anos e avaliar os impactos dasações desenvolvidas. Os resultados desse amplo
esforço de pesquisa expressam um panorama riquíssimo em que sobressaem as
características próprias e únicas de cada favela, o momento histórico, os elementos
geográficos e de infraestrutura e, sobretudo, os fatores associativos, a tradição maior ou
menor de ação coletiva e o capital social de cada comunidade. Em meio à diversidade,
algunsaspectos comuns se confirmaram. Entre eles, a percepção dos enormes danos
provocados pelos anos de submissão ao poderio armado de criminosos. Líderes
comunitários, mesmo quando experientes e legitimados em suas comunidades, aprenderam
a se relacionar com o poder público numa relação pendular de cobrança e de pedidos de
ações tópicas para a favela. Se, por um lado, predomina o desconforto de...
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