Unidade iii filosofando

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 20 (4984 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 8 de maio de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
*******

### UNIDADE III
A CIÊNCIA

## CAPÍTULO 11

O CONHECIMENTO CIENTÍfICO

(Gravura)
Galileu diante da Inquisiçãpo - de Cristiano Banti -1857
Galileu, o criador do novo método científico, defronta-se com o poder,
numa situação emblemática que marca as relações tensas entre ciência e política: ora porque
os poderosos querem fazer calar a ciência, ora porque desejam usá-la paraatingir seus
objetivos de dominação.

PRIMEIRA PARTE - O que é ciência?

Lewis Carroil era proféssor de
matemática na Universidade de Oxfórd quando escreveu o seguinte em
Alice no pais das maravilhas:
Gato Cheshire... quer fazer ofavor de me dizer qual é o caminho que eu devo tomar?
- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir- disse o Gato.
- Não meinteressa muito para onde
-disse Alice.
- Não tem importância então o caminho que você tomar- disse o Gato.
- ... contanto que eu chegue a algum lugar - acrescentou Alice como uma explicação.
Ah, disso pode ter certeza-disse o Gato-desde que caminhe bastante
A resposta do Gato tem sido freqüentemente citada para exprimir a opinião de que os cientistas não sabem para onde oconhecimento está levando a humanidade
e, além disso, não se importam muito. Diz-se que a ciência não pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são intelectuais e não éticos. Uma vez que
os objetivos sociais tenham sido escolhidos por meio de critérios não científicos, a ciência pode determinar a melhor maneira de prosseguir Mas é provável que a
ciência possa contribuir paraformular valores e, assim, estabelecer objetivos, tornando o homem mais consciente das conseqüências de seus atos. A necessidade de
conhecimento das conseqüências, no ato de tomar decisôes, está implícita na observação do Gato de que Alice chegaria certamente a algum lugar se caminhasse o bastante.
Desde que esse algum lugar poderia revelar-se bem indesejável, é melhor fazer escolhas conscientes dolugar para onde se quer ir.

René Dubos, Odespertarda razão, São Paulo, Melhoramentos/Edusp, 972. p. 165.)

O texto de René Dubos, professor de biomedicina ambiental, reflete a preocupação que o cientista deve ter com os fins a que se destina a ciência. Vamos,
portanto, começar esta Unidade com a reflexão que deve estar presente sempre quando abordarmos tal problemática: a ciência não éum saber neutro, desinteressado,
à margem do questionamento social e político acerca dos fins de suas pesquisas.

1. Introdução

Vimos, no Capítulo 3, o que é conhecimento e quais as diversas formas de compreensão do mundo, entre as quais o conhecimento espontâneo ou senso comum e
o conhecimento científico.
O senso comum é o conhecimento de todos nós, homens comuns,não-especialistas. Se a ciência precisou se posicionar muitas vezes contra as "evidências" do
senso comum, não há como desprezar essa forma de conhecimento tão universal. Ou seja, mesmo o
cientista mais rigoroso, quando está fora do campo de sua especialidade, é também um homem comum e usa o conhecimento espontâneo no cotidiano de sua vida.

2. O senso comum

Chamamos deconhecimento espontâneo ou senso comum o saber resultante das experiências levadas a efeito pelo homem
ao enfrentar os problemas da existência. Nesse processo ele não se encontra solitário, pois tem o concurso dos contemporâneos, com os quais troca informações. Além
disso,
cada geração recebe das anteriores a herança fecunda que não só é assimilada como também transformada.
O volume enorme desaberes herdados e construídos nem sempre são tematizados, ou seja, não se apresentam de forma sistemática nem têm caráter de conhecimento
refletido. Dependendo da cultura, são encontradas, com maior ou menor intensidade, proposições racionais ao lado de crenças e mitos de toda
espécie.
O senso comum, enquanto conhecimento espontâneo ou vulgar, é ametódico e assistemático e nasce...
tracking img