Uma vez flamengo sempre flamengo: a representação da presidente patrícia amorim na mídia esportiva nacional

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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Fortaleza, CE – 3 a 7/9/2012

Uma vez Flamengo sempre Flamengo: A Representação da Presidente Patrícia
Amorim na Mídia Esportiva Nacional1
Tatiane HILGEMBERG2
Ludmila MOURÃO3
Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG

RESUMO
Apesar do título dedemocrático e democratizador, o esporte, como prática social moderna,
foi construído como masculino , em que as condições de acesso e participação das mulheres
no esporte, quando comparadas às dos homens, nem sempre foram iguais . Visto que a
inserção da mulher nos cargos de gestão e administração de clubes e confederações o corre
de forma ainda mais lenta, o objetivo de nosso estudo éanalisar a representação social de
Patrícia Amorim, única mulher a presidir um grande clube de futebol no Brasil, o Clube de
Regatas do Flamengo, na mídia brasileira, a fim de perceber os sentidos produzidos sobre a
Patrícia mulher e dirigente esportiva. Esta pesquisa tem ainda como objetivos específicos
verificar como a mídia tende a enquadrar a dirigente esportiva e analisar a forma como osêxitos e os malogros da dirigente são retratados pela mídia.

PALAVRAS-CHAVE: Gênero; Gestão Esportiva; Mídia.

1. Introdução

O esporte difundiu-se pelo mundo de maneira extraordinária no último século,
configurando novos espaços de sociabilidade, novas corporalidades e, principalmente,
novos territórios de criação de sentido e significação (GUEDES, 2009). E representa na
atualidade um dosprincipais fenômenos sociais e uma das maiores instituições do planeta
(RUBIO, 2002).
Contudo, apesar do título de democrát ico e democratizador, o esporte, como prática
social moderna, foi construído como masculino, gerando uma longa história de luta das

1

Trabalho apresentado no GP Comunicação e Esporte do XII Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, evento
componente do XXXVCongresso Brasil eiro de Ciências da Comunicação.
2

Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, email: tatianehilgemberg@gmail.com.

3

Doutora em Educação Física pela Universidade Gama Filho (1998). Professora do curso de Graduação e Pós -graduação
(mestrado) da Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Federal de Juiz de Fora. email:ludmila.mourao@terra.com.br

1

Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Fortaleza, CE – 3 a 7/9/2012

mulheres para sua inclusão também nesta prática. Essa história faz parte dos movimentos
femininos desde meados do século XIX, que propõem pautas de lutas sociais por igualdade
em relação aos homens, questionando asnoções, até aquele momento muito difundidas, de
domesticidade e inferioridade femininas numa ―(...) arena importante de disputas sobre
quem controla e quem decide o que os corpos femininos ―podem‖ ou ―devem‖ fazer‖
(ADELMAN, 2004, p. 33).
Assim sendo, é de consenso geral que a trajetória da mulher na sociedade sempre foi
marcada pela discriminação.
Diferenças sexuais continuam sendo pretexto paraimpor relações
hierárquicas que apontam a supremacia e dominação do homem
aliada à subordinação da mulher. Essa relação de gênero é
encontrada em todas as classes sociais, em diferentes grupos étnicos
e se reproduz a cada geração. (...) [O] dia-a-dia do ser homem e ser
mulher se define por meio de práticas sociais das quais emerge o
poder de um sexo sobre o outro. (ROMERO, 2004, p. 104).Neste sentido podemos notar que o esporte também é um fenômeno ―generificador‖
– que auxilia na construção da ordem de gênero vigente. Enqu anto ―instituição
genereficada‖, sua estrutura e valores (regras, organização formal, composição sexual, etc.)
espelham concepções dominantes de masculinidade e feminilidade (KNIJNIK, 2004). As
condições de acesso e participação das mulheres no esporte,...
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