Uma sociedade alienada pelos meios de comuniação

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  • Publicado : 3 de dezembro de 2012
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Uma sociedade alienada pelos meios de comunicação
Hoje em dia, a palavra "inteligente", além de significar "hábil", ou "dotado de inteligência", pode descrever também estudantes sujeitos ao bullying, ou até mesmo exclusão, por parte de outros jovens, pelo fato de estes seguirem um padrão de vida dito "normal", premeditado pelas mídias existentes, que pregam uma realidade em que a imagem estáacima de tudo. Exemplificando em números, é possível dizer que a cada 100 estudantes do nível médio brasileiro, 90 preferem assistir televisão ou acessar a internet a estudar ou ler um bom livro. E é exatamente este tipo de resultado que deixa o Brasil em más colocações em provas avaliativas – o Brasil ficou em 88º lugar de 127 no ranking de educação feito pela UNESCO, o braço da ONU para a cultura eeducação. Um dos motivos para esta vergonhosa realidade é o frequente “endeusamento” de pessoas bonitas por parte da mídia, independente de apresentarem qualquer valor acadêmico.

A mídia tem apresentado aos jovens uma realidade ilusória, em que uma pessoa bonita está fadada ao sucesso. Uma realidade em que um jogador de futebol é uma das pessoas mais importantes do momento, quepode dar lições de vida enquanto está envolvido em escândalos nacionais. Cita-se, por exemplo, o jogador de futebol David Beckham, "um dos tantos protagonistas da vida inglesa na atualidade que não dá, no entanto, a impressão de possuir capacidades intelectuais particulares" – notícia retirada do site Terra. No aspecto sociológico, ligado aos desenvolvimentos de uma sociedade tipicamente consumistaque se agarra aos "mitos" do espetáculo e das celebridades do momento, há uma outra explicação para este fenômeno. Não são mais os grandes escritores e compositores, os cientistas e filósofos que constituem os padrões de sucesso e de afirmação social a serem perseguidos. A culpa deve ser atribuída, sobretudo, aos atuais modelos e exemplos de celebridade que contribuem para bloquear os jovens,afastando-os do sucesso acadêmico.

Há uma obra literária de Ray Bradbury - “Fahrenheit 451” - que nos apresenta um pouco dessa situação que estamos começando a vivenciar. Lançado em 1953, o livro conta a história de Guy Montag em meio a uma sociedade futurista alienada e censurada pelos meios de comunicação. A narrativa apresenta um futuro em que todos os livros são proibidos, opiniões própriassão consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido. Apesar de ser uma história de ficção, há nela críticas reais sobre o indivíduo e a sociedade, como a falta de qualidade do que nos diverte e, como isso é facilmente maleável e manipulável, o conhecimento e a ignorância, a indiferença e a desintegração da sociedade.

O autor apresenta-nos Montag, um bombeiro que, nospadrões futuristas desta nova sociedade, provoca incêndios em vez de apagá-los. Tal tarefa, no entanto, limita-se apenas aos livros e às casas em que estes são achados, com o propósito de garantir felicidade e harmonia. Os livros, neste contexto, ilegais, representam o mais temido e insultante inimigo do estado, pois simbolizam o conhecimento e a consciência. A leitura não tem vez. O mundoencontra-se dominado pela caixa mágica, que, além de objeto de propaganda do governo, hipnotiza quem assiste, tornando um soldado ao seu favor: a televisão. Guy vive a vida mais sem sentido do mundo, mas gosta disso. Ele tem uma casa, mas não possui a visão de melhora – a não ser quando sonha com sua promoção, tem uma esposa, Mildred, que vive na sala da casa assistindo programas de televisão e tomandopílulas. A TV muito bem lembra os dias de hoje: programas ruins que atraem as grandes massas e incentiva a população a ser robótica e não a motiva a pensar. As cenas narradas são quase uma visão dos dias atuais. Não há diálogo. Não há qualquer resquício de sentimento. A forma apática com a qual as pessoas tentam estabelecer uma conversa só mostra a futilidade assustadora à que somos submetidos...
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