Uma mente inquieta

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  • Publicado : 4 de abril de 2013
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Uma mente inquieta

Kay Jaminson, autora e protagonista do Livro uma mente inquieta, narra sua luta contra a doença maníaco-depressiva, exaltando as polaridades do seu humor. Assim, com efeito, é preciso compreender, por meio de hipóteses, o que originou esse conflito, a ambivalência que lhe sufocava a vida. Por isso, através de um olhar minucioso, é preciso compreender o lugar da patologiamental, sua diferença em relação ao ''Pathos'' orgânico. Mas, em suma, o que é o estado maníaco-depressivo? Focault (1985) descreve que ''Magnan denominou "loucura intermitente" esta forma patológica, na qual vêem-se alternar, em intervalos mais ou menos longos, duas síndromes entretanto opostas: a síndrome maníaca, e a depressiva. A primeira compreende a agitação motora, um humor eufórico oucolérico,uma exaltação psíquica caracterizada pela verborragia,a rapidez das associações e a fuga das idéias. A depressão, ao contrário, apresenta-se como uma inércia motora tendo como fundo o humor triste, acompanhado de hipo-atividade psíquica.'' (Pág 7).

Kay fora criada num âmbito militar, tradicional e independente onde, por assim dizer, era preciso ter, desde sempre, autocontrole perante qualquersituação. Assim, vivendo numa família onde seu pai lhe fornecia tudo e sua mãe era uma grande amiga, a senhorita Jaminson tinha um bom relacionamento com seu irmão e uma relação fria com sua irmã, que era menos conservadora. Porém, em seu íntimo, a pequena Kay questionava alguns fundamentos militares, sobretudo o papel da mulher, das mesuras e do comportamento submisso que estas deveriam ter.''Seu pai vai ficar chateado com sua desobediência'', disse uma das personagens, e Kay soube que seu pai se importaria com isso. Ela, pois, poderia prejudicá-lo em sua carreira militar? Depois ela presenciou a morte de um piloto de avião, e isso, como o pulo de um gato, de alguma forma lhe revelou a dupla face da existencia: vida e morte. O tema morte passou a persegui-la: dissecações, autopsia nãoencarada. Aliás, começou aí a fuga do presente, a utlização de mecanismos de defesa para suportar a realidade. Um exemplo disso seria a repetição de vários trechos de um livro para se certficar de que não iria se esquecer do que acabara de ler.

Outro fator importante para entender sua ambivalencia foi, sem dúvida, a mudança de cidade. Afinal, acostumada a ambientes mais clássicos e conservadores,ela passou a conhecer pessoas e frequentar locais totalmente opostos ao seu estilo de vida. E sua independência parecia não mais resolver uma série de dilemas que estavam além do seu alcance. Seja como for, a crise familiar, o fato de ver seu pai deprimido e com manias antes não presenciadas, terminou por agravar a situação de Kay.

No mais, lembremos que a psicopatologia não é apenas osurgimento de uma consciência debilitada, presa por conceitos somente negativos. A doença é, também, uma forma de compensação, uma maneira de regressar a um estágio arcaico de comportamento, a um nível anterior, realizando assim a fuga do presente; esses detalhes ficam claro quando destrinchamos a história de vida do sujeito. A doença, pois, suprime as funções complexas, louvando assim o automatismo, asfunções simples da evolução. Assim, na medida que em que retona a uma fase anterior, a pessoa faz ''desaparecer'' os problemas do presente.

Mas como compreender o conflito de Kay? Por que ela possui variações de humor tão exageradas? A história da libido, das fixações, pode explicar o sentido do problema. É preciso entender que cada neurose é uma volta a um estágio de evolução libidinal. Acriança escolhe o objeto desejado através de várias fases. A ambivalencia surge da descoberta de que o prazer está ligado a agressão. O alimento é devorado para ser apreciado. É a partir daí que começa a diferenciação dos bons e maus objetos; logo observamos em Kay essa dificuldade, o dilema de entender a ambiguidade das coisas, ficando assim refém das precauções contra si mesma. No entanto,...
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