um olhar sobre o corpo ontem e hoje

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ISSN 1517-6916
CAOS - Revista Eletrônica de Ciências Sociais
Número 9 – Setembro de 2005
Pág. 53-60

O surgimento do conceito “corpo”:
implicações da modernidade e do individualismo
Diego Rocha Medeiros Cavalcanti*

Resumo: Este artigo discute o surgimento do conceito Corpo e as
implicações que a modernidade e o individualismo impõe sobre a forma
como nos apropriamos e representamos onosso corpo.
Palavras-chave: corpo; modernidade; individualismo

O estudo sobre o corpo e os vários usos que fazemos dele é
importante porque ele é o espaço físico onde está circunscrito o
indivíduo moderno. É importante lembrar que o corpo é construído
historicamente, e sendo construído historicamente podemos localizar
bem o significado ou a percepção do que vem a ser corpo para cadaépoca ou ao longo da historia. “(...) O corpo humano é socialmente
concebido e a análise da representação social do corpo oferece umas
das numerosas vias de acesso a estrutura de uma sociedade
particular” (Rodrigues, 1979: 44). Curioso é perceber que o corpo em
si é universal, todos os animais possuem uma entidade orgânica que
os caracterizam. Mas a percepção ou interpretação do que seja o
corpoé bem subjetiva ou individual e com respostas bem localizadas
culturalmente.
Iniciaremos esta análise com a definição do que vem a ser o
corpo. O que é corpo? Segundo a definição do Magno Dicionário,
corpo é: “unidade orgânica ou inorgânica que ocupa lugar no espaço.
Parte material do ser em oposição ao seu animu”. Ora, nesta
Aluno concluinte do Curso de Ciências Sociais da UFPB.(diegomascote@bol.com.br)

CAOS – Revista Eletrônica de Ciências Sociais, n. 9, set./2005, p. 53-60.
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definição

podemos

perceber

resquícios

da

filosofia

cartesiana

fortemente arraigada na percepção ocidental-moderno-burguesa, e
herdeira de valores iluministas, onde a dualidade se impõe dividindo
o indivíduo em dois, a saber, corpo-mente. Partematerial do ser em
oposição ao seu animus.
Nesta definição, então, o corpo é visto somente como um ente
físico delimitado sob a pele, que parece ser a última fronteira do
indivíduo. Indivíduo esse inventado por valores iluministas que
nascem com a modernidade. Modernidade essa que funda um
discurso cientifico e se legitima por esse discurso. Tal discurso cada
vez mais distante de influênciasreligiosas. Então, nessa perspectiva,
que podemos chamar de uma perspectiva moderna, o corpo e o
indivíduo estão circunscritos à pele.
Segundo

Le Breton: “El individualismo inventa el cuerpo al

mismo tiempo que al individuo” (Le Breton, 1995: 153). A moderna
concepção de individualismo é herdeira dos valores iluministas. Isso é
uma concepção moderna, no sentido de uma percepçãopequenoburguesa que se fortalece no início da revolução industrial e da
ascensão

do

Estado-nação,

das conseqüentes

necessidades

de

urbanização que o crescimento das cidades impôs e do declínio de
valores medievais. Toda a concepção de corpo da Idade Media muda
com a ascensão do capitalismo e as conseqüentes necessidades que
os novos valores (espírito de uma época) revelam. Após aIdade
Media o corpo é dessacralizado, ou seja, já não é mais algo proibido
de se manipular. Com a ascensão de uma ciência positiva separada
de valores religiosos e do espaço da moralidade, o corpo passa a ser
objeto de estudo de algumas ciências, principalmente a medicina, que
dá um salto muito grande em matéria de conhecimento sobre o corpo
a partir do momento em que os estudos de anatomiaforam sendo
ampliados, como conseqüência dessa dessacralização, um movimento
para dentro do corpo se inicia no sentido de que ele passa a ser
objeto,

e

como

tal

passível

de

estudos

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e

intervenções

que
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possibilitaram a produção, compilação e a posterior...
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