Um olhar sobre a epidemia de cólera a partir do pensamento de pierre bourdieu.

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  • Publicado : 4 de fevereiro de 2013
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Um olhar sobre a epidemia de cólera a partir do pensamento de Pierre Bourdieu.
Dhenis Silva Maciel

Pensar a epidemia de cólera de 1862 no espaço da vila de Maranguape nos leva a ver os usos que dela foram feitos, afinal “as doenças tem apenas a história que lhe é atribuída pelo homem. A doença não tem existência em si, é uma entidade abstrata a qual o homem da um nome.” (sournia,1985). Entreestas disputas temos o embate das irmandades e grupos políticos que se dividiam entre o culto de Nossa senhora da Penha e o de São Sebastião, que mesmo tendo nomeado a freguesia da vila não exercia o cargo de padroeiro. Nossa Senhora da Penha fora invocada na matriz local como uma forma de demonstrar uma ligação ao processo de romanização que estava iniciando na província cearense e com formademonstrativa de poder do grupo que a tinha como protetora. A romanização pretendia diminuir a influencia dos santos particulares, na vida dos fiéis católicos, lembremos que vinha de longa data a criação dos santos especialistas, ou seja, aqueles que tinham poderes sobre determinadas questões da vida cotidiana dos fiéis, o que poderíamos exemplificar com Santa Clara – protetora dos músicos, SantaLuzia – padroeira dos olhos e da visão,... assim sendo, a Igreja Católica visou diminuir o papel destes santos com o estímulo ao culto dos detentores do título de santíssimo, a saber, Nossa Senhora, São José e o próprio Jesus Cristo. Mas perceber este embate requer que tenhamos um vislumbre mais cuidadoso sobre noções teóricas de poder e representações. Assim veremos as lutas pelo direito demonopolizar o poder simbólico dentro das relações humanas, retirando toda a carga transcendental da noção de poder e dando a ele uma visão historicizada, uma vez que humanizada.
Para a realização deste intento propomos uma leitura cuidadosa da obra O poder simbólico de Pierre Boudieu, e sempre que possível, analisando suas proposições sobre a ótica de outros comentadores das relações de poderinterpessoais e que perceberam as implicações desses embates em questões de matriz cultural.
A fim de compreendermos a conceituação teórica de Bourdieu, é salutar que olhemos seu percurso teórico-academico e por fim que olhemos como ele traça as diversas abordagens que foram dadas para a noção de poder simbólico que o permitiram chegar as conclusões que ele obteve.
O conjunto da obra de PierreBourdieu é considerada uma das mais estimulantes e inovadoras dentro do campo das ciências sociais pois estimula um exercício interdisciplinar, e por isso mesmo, é utilizado como referência em praticamente todas as disciplinas que pertencem ao reino das humanidades como sociologia, antropologia, historia, comunicação social, estilismo, filosofia, entre outras.
A novidade de sua obra se encontra naescolha (e amplitude temática) dos objetos que foram analisados, na reorientação do olhar, ponto em que podemos perceber uma proximidade com a disciplina histórica. Segundo Giovanni Levi ao comparar sua relação com a pesquisa histórica e a religião judaica que professa, para ele, as duas se assemelham no ponto em que são uma eterna busca. Fala o historiador italiano:
“Ela (história) é uma continuareconstituição da realidade, mas nós sabemos que a realidade sempre nos escapará, sempre será mais rica do que podemos imaginar. Essa analogia me ensinou algo: a História é uma ciência da busca infinita. Este é o grande fascínio da profissão do historiador. Todo ano são publicados 150 livros sobre Carlos V. Não por que 149 sejam falsos e um só verdadeiro, mas por que cada um deles oferece suainterpretação, uma aproximação do infinito, de Carlos V...de Deus)”,
Continuando o hall de colaborações do conjunto da obra de Bourdieu, destacamos a elaboração de elementos operacionais e no constante exercício de auto-crítica (sociologia do conhecimento) oriundo da analise desnaturalizada do próprio oficio, outro ponto em que percebemos a congruência entre ele e a disciplina histórica. Observamos...
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