Um modelo de educação em saúde para o programa saúde da família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial

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  • Publicado: 28 de maio de 2012
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As práticas de Educação em saúde, eram orientadas por um discurso biologista, que reduzia a
determinação do processo saúde-doença à dimensão individual, não assimilando
as implicações das políticas sociais e das condições de vida e de trabalho para a
saúde. O discurso falava que os problemas de saúde eram decorrentes da não observância das normas de higiene pelos indivíduos. Este discursopredominou no campo da educação em saúde durante as décadas seguintes, podendo ser encontrado ainda hoje como orientador de práticas educativas.
A partir da década de 1940, algumas transformações começam a ser verificadas no campo da educação em saúde. Em 1960 houve um fato que a Medicina Comunitária, verifica-se um apelo
à participação da comunidade para a solução dos problemas de saúde nelavivenciados.
As práticas de educação em saúde comunitárias falaram então que as comunidades seriam as responsáveis pela resolução de seus problemas de saúde devendo, para isto, ser conscientizadas. Os determinantes sociais desses problemas, contudo, não eram levados em consideração.
Em meio dessas mudanças, houve o regime militar, no qual trouxe alguns tipos de problemas para as transformações nasaúde. O campo da educação em saúde permaneceu
inexpressivo em virtude da limitação dos espaços institucionais para sua realização. Esse
regime trouxe muita insatisfação das pessoas, e resultou a organização de movimentos sociais que reuniram intelectuais e populares para protestar.
Dentre os movimentos que tiveram início na década de 1970 e que buscavam romper com a tradição autoritária enormalizadora da relação entre os serviços de saúde e a população, destaca-se o movimento da Educação Popular em Saúde. Este movimento foi precipitado pela
insatisfação de alguns profissionais de saúde com os serviços oficiais; dirigindose para as periferias dos grandes centros urbanos e regiões rurais, aproximaram-se, assim, das classes populares e dos movimentos sociais locais. A aproximação favoreceua convivência dos profissionais com a dinâmica do processo de adoecimento e cura no meio popular, bem como o confronto com a complexidade dos problemas de saúde nessas populações, o que levou muitos profissionais a buscarem a reorientação de suas práticas com a finalidade de enfrentar de forma mais global os problemas de saúde identificados. O movimento da Educação Popular em Saúde tem priorizadoa relação educativa com a população, rompendo com a verticalidade da relação profissional-usuário.
A Educação Popular em Saúde tem convivido no Brasil com as modalidades de serviços hegemônicas. Desde a década de 1970, a despeito do amadurecimento da metodologia, as experiências em Educação Popular não deixaram de ser pontuais, alternativas e transitórias.
Entre dois modelos de práticas deeducação em saúde A despeito da emergência de um novo discurso no campo da educação em saúde, prevalecem as práticas educativas hegemônicas. Da convivência entre as práticas emergentes e hegemônicas é possível delinear dois modelos de
práticas de educação em saúde, que podem ser referidos como modelo tradicional e modelo dialógico. Estes se encontram em pólos extremos, sendo possível reconhecermodelos intermediários.
O modelo tradicional, historicamente hegemônico, focalizando a doença e
a intervenção curativa e fundamentado no referencial biologicista do processo saúde-doença, preconiza que a prevenção das doenças prima pela mudança de atitudes e comportamentos individuais. As estratégias desta prática educativa em saúde incluem informações verticalizadas que ditam comportamentos a seremadotados para a manutenção da saúde.
O modelo emergente de educação em saúde pode ser referido como modelo dialógico por ser o diálogo seu instrumento essencial. O usuário dos serviços é reconhecido sujeito portador de um saber, que embora diverso do saber técnico-científico não é deslegitimado pelos serviços. De acordo com Briceño-Léon (1996), em um modelo dialógico e participativo, todos,...
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