Tupac amaru : entre o mito e a história

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 9 (2242 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 11 de dezembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Tupac Amaru II entre o mito e a história: algumas abordagens possíveis.


Dentre as várias abordagens possíveis de um mesmo fenômeno histórico escolhemos trabalhar com o texto da historiadora Scarlett O´phellan Godoy: Tupac Amaru entre lãs reformas borbonicas y la constituicion de Cadiz e também o texto do etnohistoriador Marco Curatola: Mito y milenarismo em los Andes: Del Taki Onqoy aInkarri. Por último também analisaremos as passagens do livro As Veias Abertas da América Latina de Eduardo Galeano naquilo que é pertinente ao tema ora proposto.
O levante de Tupac Amaru segundo se dá no final do século XVIII (04/11/1780 -18/04/1781) no contexto das Reformas Borbonicas . Nesse sentido faz-se necessário tentarmos entender um pouco do que foram essas reformas. Tiveram cunhopolítico/administrativo, econômico e fiscal. Na agricultura representou a aplicação de princípios do fisiocratismo onde deveria prevalecer a liberdade na escolha do que produzir e isso valia também para a economia estatal . O mercantilismo passa a existir de fato , a ser almejado, relações mais lucrativas com as colônias são desejadas. Quebra-se a hierarquia ainda existente na Espanha e na relação destacom suas colônias. Um liberalismo restrito também é aplicado no comércio e na indústria. O reformismo modernizador dos reis Borbons em aproximadamente um século , aumenta a população de Espanha de 7 para 12 milhões de habitantes. Passa haver liberalização do comércio de grãos internamente e também externamente com as colônias. Junta-se a isso um estímulo crescente a imigração para as índiasocidentais de andaluzes, catalães, galegos, bascos entre outros povos. Nesse período não se pode falar ainda em nacionalidades na Europa. É no século XIX que passam haver tentativas de criação de nacionalidades. Como um dos reflexos dessas Reformas nas colônias temos que funcionários públicos não pertencentes à nobreza espanhola são pinçados para a administração pública, ocupando altos cargos naadministração colonial o que de passagem já era tradição francesa. A moeda é unificada em toda Espanha e também nas suas colônias. Isso só vai mudar no contexto das independências das colônias. Várias fábricas são criadas, estradas são abertas para facilitar o escoamento das manufaturas produzidas. Não devemos deixar de perceber que o olhar da elite espanhola sobre os criollos da América espanhola eraum olhar preconceituoso, um olhar típico da época de um Buffon ou de um Abade Reynal. Para os espanhóis os criollos cometeriam diversos abusos no uso de seu poder, os corregedores agiriam de má-fé na administração do Repartimiento . Os novos funcionários que chegam de Espanha são encaminhados para as intendencias . Chegam carregados dos preconceitos, das idéias iluministas sobre as Américas. Asintendências acabam por roubar autonomia das audiências locais que eram geridas por autoridades locais que geriam os pueblos de indios criados por Bartolomé de Las Casas para proteger os índios. Nesse sentido, o do fim dos privilégios indígenas, os criollos concordavam com os novos funcionários que chegavam pois queriam acabar com os privilégios indígenas com relação as terras. O Repartimientoquebra o ritmo das trocas entre os comerciantes locais e as comunidades de índios. Os índios são obrigados a comprar mantimentos dos comerciantes chapetones o que leva a um descontentamento crescente e resultará num dos principais elementos das revoltas de Tupac Amaru e Tupac Catari.
Para a historiadora Scarlett O´phellan Godoy não existiu um único motivo que levou às diversas revoltas queocorreram durante o século XVIII. Índios mitaios, caciques, criollos e chapetones e clero tinham motivos próprios para aderirem ou se oporem a esses levantes. Os próprios levantes nem sempre tinham como bandeira as mesmas reivindicações. A mita , que em 1812 havia sido abolida pela Constituição de Cádiz, ainda funcionava, excepcionalmente, no Vice-Reino do Perú. Tanto os tributos quanto as mitas eram...
tracking img