Tratamento usado por freud no caso de histeria de elizabeth

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  • Publicado : 10 de abril de 2013
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O tratamento iniciou-se buscando entender se o caso tratava-se realmente de um caso de histeria, pois os sintomas não correspondiam a esta patologia. A localização da zona histerogênica era inusitada e essa possibilidade não entrava em contradição com a consistência dos músculos hiperalgésicos da paciente. Havia numerosas fibras endurecidas na substância muscular e estas pareciam serespecialmente sensíveis. Assim, era provável que uma alteração muscular orgânica da espécie indicada estivesse presente e que a neurose se houvesse ligado a ela, fazendo parecer exageradamente importante. O tratamento prosseguiu-se na suposição de que o distúrbio fosse dessa espécia mista, indicando a continuação do tratamento de ordem orgânica: com massagens, choques e caminhadas mesmo que houvesse dor muitoforte.
Freud ao divagar sobre a real origem dos sintomas, se viu de frente para um dos casos mais complexos e que viria a ser um marco em sua teoria. Utilizando-se de entrevistas de cunho terapêutico se fez de extrema importância o papel de alguém interessando, atento, compreensivo e com grande crença na cura da paciente. Ele desconfiava que Elizabeth mantinha a causa da doença consciente e emsegredo, mas logo lembrou-se que sempre há algo oculto por detrás da máscara.
A princípio dispensou a hipnose, buscando remover o material psíquico patogênico camada por camada, até chegar as mais profundas camadas de sua lembrança. Este método veio a ser regular em seus outros tratamentos, sendo o princípio da psicanálise. Elizabeth ficava deitada de olhos fechados, a relatar histórias delembranças que vinham à mente e quando atingia certo ponto da história que a emocionava intensamente, caía num estado parecido com a hipnose.
Em sua camada psíquica superficial relatou que seus sintomas surtiram 2 anos após o falecimento do amado pai, depois da cura da vista de sua mãe, em um verão em um veraneio onde passava as férias com a família dela e dos cunhados. Após uma longa caminhada, asdores e fraqueza locomotora teriam aparecido. Foi indicado um tratamento hidropático, durante o tratamento a segunda irmã ficou grávida, num estado grave e viria a morrer. Elizabeth relatou que o viúvo ficou inconsolável e se afastou da família. Freud procurava a relação destes traumas com a doença em si, visto que eram choques emocionais corriqueiros e aparentemente nada explicava a relação com ahisteria, a não ser pressuposição de que as lembranças doloridas estavam sendo traduzidas em suas dores físicas. Buscando e acreditando no possível diagnóstico dado pelo colega, Freud prosseguiu no tratamento, usando-se de hipnose para tentar adentrar no inconsciente da moça, buscando chegar ao ponto crucial da origem de sua histeria. Ao hipnotiza-la constatou que ela ficava no mesmo estado da suaconfissão do início, utilizando o método da associação livre. Ele passa a usar consequentemente uma outra técnica: a de pressão na cabeça, que provocaria a paciente a buscar idéias e imagens de lembranças recalcadas. Elizabeth lembra-se de um rapaz por quem se apaixonou, mas ignorou para cuidar de seu pai enfermo, deixando de lado suas pulsões libidinais e se culpando por querer estar com onamorado e não cuidando de seu pai. Esse conflito interno teve como consequências representações eróticas recalcadas, dando espaço a para a dores físicas, tratando-se de um mecanismo de conversão.
Neste momento algum sintomas da histeria apareceram, abrindo um segundo período de tratamento. A paciente conseguiu lembrar-se que as dores na perna direita irradiavam na região onde seu pai costumava apoiarsua perna enquanto ela renovava as ataduras, todas as manhãs. Nesta fase, Freud começa a notar que em geral paciente chega a sessão sem dores, mas ao surgir uma pergunta específica ou através da pressão na cabeça, a paciente estremecia e punha a mão no ponto doloroso e alcançava seu clímax quando ela estava no ato contar a parte essencial e decisiva. Freud começa a utilizar essas dores como...
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