Tratamento de esgoto

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INFORME INFRA-ESTRUTURA
ÁREA DE PROJETOS DE INFRA-ESTRUTURA

NOVEMBRO/97

N° 16

TRATAMENTO DE ESGOTO: TECNOLOGIAS
ACESSÍVEIS
1. Introdução
No Brasil, 49% do esgoto produzido é coletado através de rede e somente 10% do esgoto total é
tratado. O resultado é que as Regiões Metropolitanas e grandes cidades concentram grandes
volumes de esgoto coletado que é despejado sem tratamento nosrios e mares que servem de corpos
receptores. Em conseqüência a poluição das águas que cercam nossas maiores áreas urbanas é
bastante elevada, dificultando e encarecendo, cada vez mais, a própria captação de água para o
abastecimento.
A implantação de uma estação de tratamento de esgotos tem por objetivo a remoção dos principais
poluentes presentes nas águas residuárias, retornando-as ao corpod’água sem alteração de sua
qualidade.
As águas residuárias de uma cidade compõem-se dos esgotos sanitários e industriais sendo que
estes, em caso de geração de efluentes muito tóxicos, devem ser tratados em unidades das próprias
indústrias.
O parâmetro mais utilizado para definir um esgoto sanitário ou industrial é a demanda bioquímica
por oxigênio - DBO1. Pode ser aplicada na medição dacarga orgânica imposta a uma estação de
tratamento de esgotos e na avaliação da eficiência das estações - quanto maior a DBO maior a
poluição orgânica.
A escolha do sistema de tratamento é função das condições estabelecidas para a qualidade da água
dos corpos receptores2. Além disso, qualquer projeto de sistema deve estar baseado no
conhecimento de diversas variáveis do esgoto a ser tratado,tais como a vazão, o pH, a temperatura,
o DBO, etc.

2. Tecnologias Existentes
A composição do esgoto é bastante variável, apresentando maior teor de impurezas durante o dia e
menor durante a noite. A matéria orgânica, especialmente as fezes humanas, confere ao esgoto

1

A DBO é a quantidade de oxigênio usada por uma população mista de microorganismos durante a oxidação aeróbia àtemperatura de 20ºC.
2
A Resolução Conama n.º. 20, de 18.06.86, classifica a qualidade dos corpos receptores e define o padrão para
tratamento do efluente. As legislações estaduais sobre meio-ambiente complementam a norma federal nos mesmos
aspectos

sanitário suas principais características, mutáveis com o decorrer do tempo pois sofre diversas
alterações até sua completa mineralização ouestabilização.
Enquanto o esgoto sanitário causa poluição orgânica e bacteriológica, o industrial geralmente
produz a poluição química. O efluente industrial, além das substâncias presentes na água de origem,
contém impurezas orgânicas e/ou inorgânicas resultantes das atividades industriais, em quantidade e
qualidade variáveis com o tipo de indústria .
Os corpos d’água podem se recuperar dapoluição, ou depurar-se3, pela ação da própria natureza. O
efluente geralmente pode ser lançado sem tratamento em um curso d'água, desde que a descarga
poluidora não ultrapasse cerca de quarenta avos da vazão: um rio com 120 l/s de vazão pode
receber, grosso modo, a descarga de 3 l/s de esgoto bruto, sem maiores conseqüências.
Freqüentemente os mananciais recebem cargas de efluentes muito elevadas parasua vazão e não
conseguem se recuperar pela autodepuração, havendo a necessidade da depuração artificial ou
tratamento do esgoto. O tratamento do efluente pode, inclusive, transformá-lo em água para
diversos usos, como a irrigação, por exemplo.
A escolha do tratamento depende das condições mínimas estabelecidas para a qualidade da água
dos mananciais receptores, função de sua utilização4. Emqualquer projeto é fundamental o estudo
das características do esgoto a ser tratado e da qualidade do efluente que se deseja lançar no corpo
receptor. Os principais aspectos a serem estudados são vazão, pH e temperatura, demanda
bioquímica de oxigênio - DBO, demanda química de oxigênio - DQO, toxicidade e teor de sólidos
em suspensão ou sólidos suspensos totais - SST.
Ao definir um...
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