Trampo

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  • Publicado : 7 de setembro de 2012
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O MANIFESTO*1 Bertolt Brecht Guerras destróem o mundo, e entre os destroços circula Visível e imenso, um fantasma; não foi a guerra que o gerou. Também na paz ele já era visto, terrível aos governantes, Amável com as crianças do subúrbio. Em cozinhas modestas Espiou tantas vezes, contrariado, cheio de ira, as panelas vazias. Tantas vezes aguardou o esgotado, ante buracos e estaleiros. Visitouamigos no cárcere, passando os controles sem passe Tantas vezes. Mesmo em escritórios ele é visto, e ouvido Nos auditórios. De tempos em tempos, põe um chapéu de aço, Entra em tanques gigantescos e voa com bombas mortais. Fala várias línguas, todas elas. E silencia em muitas delas. É convidado de honra nos barracos, deixa inquietas as mansões. Para mudar tudo e ficar para sempre, ele veio; seu nome éComunismo. Falsidades de inimigos e de amigos, Falsidades vós ouvistes. Isto é o que os clássicos dizem: Lêde sua história e estareis lendo os feitos dos grandes; Suas estrelas, ascendentes e cadentes; de exércitos marchantes; E sobre o brilho e a decadência dos reinos. Mas os grandes e Desconfiados mestres vasculham os velhos livros em busca De outra coisa. E eles ensinam: A história é ahistória das LUTAS DE CLASSE. Pois eles vêem os povos divididos Em classes, e lutando internamente. Escravos, plebeus, éqüites,2 patrões Artesãos, camponeses e nobres; burgueses e também proletários Tomam nas mãos o orçamento gigante, parados com facas, Suas e alheias, uns contra os outros em lutas gigantes. Audazes na subversão, os professores aditam à história Das classes dominantes a história dasclasses dominadas.

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É diferente, em diferentes tempos, o modo de agir das classes dominantes, Os patrícios de Roma agiram diferente dos grandes de Espanha, Cidadãos de burgos antigos não são como os burgueses das novas cidades... Aqui uma classe usa com jeito os grandes déspotas, Lá a variedade despótica de suas câmaras; uma se serve mais De guerras sangrentas, a outra de contratos espertos,Conforme a situação do país e o tipo especial de seus habitantes. Mas os dominantes fazem, o que quer que façam, para o seu próprio domínio, E eles fazem o que fazem, em luta contra os dominados. Povos se atiram em batalha sobre outros povos, mas na retaguarda das fileiras em batalha Bramem outras batalhas, mais silenciosas, conduzindo as anteriores. Exércitos romanos assediam o distante e gélidoPontus3 Enquanto em casa, em Roma, plebeus e patrícios guerreiam uns contra os outros. Alemães fazem guerra aos franceses, mas as cidades alemãs, unidas Ao cáiser, também fazem guerra aos príncipes alemães. Se a trégua une as classes inimigas contra o inimigo externo, Quando a necessidade é extrema ou em casos de artifício, Oh, as duas o combatem, mas o triunfo é de apenas uma delas: Ela voltavitoriosa, enquanto a outra se limita a tocar os sinos, Cozinhar o banquete da vitória e construir-lhe as colunas do triunfo. Mais profundas e duradouras do que as guerras dos povos, descritas Nas cartilhas escolares, são as guerras entre as classes, Disputadas aberta e secretamente, e não pela cidadela inimiga, Mas sim pela própria cidade, que só terminam com a revolução Ou com o naufrágio conjuntodas classes em luta. E assim surgiu, a época que agora desaparece, a época do burguês: Um dia apenas servo, ele se tornou cidadão da aldeia lacustre. A aldeia lacustre tornou-se cidade e atrás de seus muros seguros 2

As corporações floresceram. Os muros não seguram o pano E o comércio desperta o país a dormitar. No litoral As cidades marítimas constróem navios, as novas praias alcançam A África,diligentes; e destemidas chegam à costa das Américas. E o mercado chinês, o mercado das índias orientais e a anexação Do novo mundo geram o acúmulo da renda e da mercadoria, Fazem a indústria levantar vôo; e então surge de vez, poderoso, Em meio à sociedade feudal, o novo dominante: o burguês. A indústria deixa pra trás o trabalho manual. Por muito tempo, ainda, Perduram a roca e o fuso de...
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