Trafico negreiro

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 6 (1467 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 14 de outubro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Documento sobre o
tráfico negreiro, de Luis Antonio de Oliveira Mendes, intitulado Memória a respeito dos escravos e tráfico da
escravatura entre a Costa d’África e o Brasil (1793).
 
Muito mais que o
apresamento do gentio, o tráfico de escravos negros harmonizava-se aos
interesses metropolitanos em função dos altos lucros que propiciava, ainda que
a cobiça pelos rendimentos chegassemuitas vezes a comprometer a própria
empresa. Embora refira-se às condições do tráfico no século XVIII, a
inexistência de transformações significativas nesse setor permite que a
descrição do comércio negreiro apresentada no documento que se segue seja
considerada válida para todo o período escravista.
 
“Quando a
escravatura trazida de muitas partes chega aos portos marítimos da África, aí ésegunda vez permutada por fazenda e gêneros a comerciantes, que ali têm casa de
negócio assentada para este fim: fazendo a escravatura sua por este troco, a
conservam por tempo em que o mesmo libambo; e quando assim não são conservados
os escravos, são metidos em um pátio seguro, de altas paredes, que não podem
pela mesma escravatura ser saltadas, ficando ali ao tempo; e de noite há umtelheiro, ou armazém também térreos onde é recolhida.
A ração lhe continua
a ser escassa do mesmo modo, e sem tempero, à exceção do sal, que em os portos
marítimos já há em maior abundância: o alimento se reduz ao feijão uma vezes, a
outras ao milho, outras ao feijão misturado com o milho por variedade.
Ajuntando-lhe demais à comida uma pequena parte de peixe salgado, de que abunda
o Reino de angolapela extração do azeite. Por variedade lhe costumam dar a
savelha, peixe miúdo e barato, muito mais do que entre nós a sardinha: mas
prejudica à saúde, e com tanta infalibilidade, que os habitantes estabelecidos
em aqueles portos dele se abstêm pelo reconhecido prejuízo que lhes causa.
Por se achar a
escravatura vizinha ao mar, a mandam em pelotões, a que chamam lotes, lavar ao
mar. Com aescravatura não despendem vestuário algum, porque lhe fazem
conservar o pouco que ela traz: e se este lhe falta, permanece quase nua:
porque não querem entrar com ela em despesa, tanto por se persuadirem, que a
escravatura lhes fica mais cara, como porque cada hora a esperam negociar com
aqueles que a hão de transportar para o Brasil.
Nesta situação, e
economia se conserva por semanas, e pormeses a escravatura, e é grande a
quantidade dela que morre; de sorte que descendo a Luanda em cada um ano de dez
a doze mil escravos, muitas vezes sucede que só chegam a ser transportados de
seis a sete mil para o Brasil. Entrando-se neste cálculo por toda a Costa de
Leste, ele não é bastante para desenganar aos comissários, que ali há de
estadia negociando em escravatura; de que o mautrato, que se lhe continua
quando ela chega cansada, e destroçada de uma tão longa viagem, é a causa de
tanta mortandade. Seria proveitoso a eles, e a esta porção de humanidade
desgraçada, que em vez de negociarem anualmente cada um deles em quinhentos a
seiscentos escravos, e até mil, negociassem em muito menor número, e os
escravos fossem tratados, como deveriam ser; pois que não podem existir,e
durar, faltando-lhes com o preciso.
Como porém aquele
giro de comércio se chama florente, uma vez que recebem a escravatura, e logo a
passam aos que ali em navios vão negociar, e permutar escravos; não se atende
pela maior parte aos cômodos da mesma escravatura, e conservação da saúde dela.
Esta porção de
escravatura, que se vai apurando de mão em mão, com resistência a tantoscontratempos, de que vai escapando pela força da robustez; entregue aos
capitães dos navios, que por último a permutam, é metida, e fechada debaixo da
escotilha do navio transportador. Estes querendo adiantar também os seus
interesses se propõem a três fins: 1º o de permutar e de fazer sua escravatura
pelo mais barato que possa ser; 2º o de meter, e o de transportar em um navio,
quanto lhes seja...
tracking img