Trafico de armas drogas e violencia

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  • Publicado : 20 de novembro de 2012
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TRÁFICO DE DROGAS E VIOLÊNCIA URBANA: UMA REFLEXÃO

Introdução:

Os estudos acerca da violência no Brasil, mais especificamente a violência urbana, conduzem à reflexão sobre algumas contradições que avultaram no país nos últimos anos, exatamente a partir do instante em que o Brasil se estruturava como um estado democrático de direito, deixando para trás os anos obscuros da ditadura militar.Tais contradições se desvelam em torno de alguns fatos incontestáveis: as crescentes taxas de criminalidade, principalmente de homicídios entre jovens, a partir dos primeiros passos para a redemocratização, dados por volta de 1980; uma nação que se edificou estribada na cordialidade e na conciliação e que se descobre carente de cidadania; um tecido social mergulhado em incontroláveis compulsõesagressivas precisamente no momento em que se estabeleceu a paz e o perdão dos anos de regime militar, malgrado esta pacificação não haja sido publicamente discutida.
As taxas médias de homicídios entre homens jovens de 15 a 29 anos aumentaram em todo o país nas décadas de 1980 e 1990. Ao se atingir o ano 2000, 93% dos casos eram de homens jovens mortos[1].Para se compreender tal fenômeno pretende-seaqui realizar uma análise interativa, isto é, vislumbrar os fatos a partir do contexto internacional bem como da dinâmica interna do país, adequando-se os dois olhares. Liminarmente abordando-se sobre a relevância das explicações macrossociais acerca da criminalidade violenta, como a miséria e a consequente exclusão social, quando observadas nas suas interações com os aparatos transnacionais docrime organizado, no que tange ao tráfico de drogas e de armas de fogo e que expôs à sua perversa influência a juventude tornada vulnerável por estas condições em muitos países.
Por outro lado, é relevante que se focalize a inércia institucional conducente às contínuas violações dos direitos civis, assim como a ineficácia do aparelho judiciário, cujas raízes históricas são profundas e articulam-seao campo político. É preciso, também, já num olhar sobre os processos microssociais, entender a concepção que esses grupos têm da masculinidade conectada com a exibição de poder pela força e a posse de armas de fogo. É igualmente relevante, nesta análise, assinalar historicamente os processos institucionais de longa duração, pois é a partir deles que se formam as práticas de violência do Estadocontra os despossuídos em geral, assim como a violência dos jovens pobres entre si, numa sociedade precariamente governada pela lei. Sempre houve, no Brasil, uma discrepância entre os direitos formais, amparados por lei, e o que realmente se pratica. Assim sendo, mais do que enfocar o direito positivo, deve-se, principalmente, observar enfaticamente os processos histórico-sociais, com suas regras epráticas implícitas nas ações dos agentes.

A Indústria do Crime:

            Uma das questões sociais que mais afligem os dias de hoje é a da incapacidade de se controlar o uso de drogas ilícitas, e mais ainda, os baldados esforços para se dar um fim, ou minimamente se reduzir a níveis socialmente aceitáveis, o sinistro sistema criminal que faz estas drogas circularem por todo o mundo, comuma logística de uma eficiência impressionante. É muito comum se dizer que o mercado ilegal das drogas é, atualmente, um dos mais vastos setores da economia mundial; todavia, é apenas uma fatia do sistema de operação da indústria do crime organizado, que funciona em vários setores utilizando-se de redes e mecanismos semelhantes, para terem aparência de operações limpas e legais. Como os diferentessetores econômicos, mormente os ilegais, se movimentam tanto no mercado formal como no informal e constroem setores legais e ilegais, claro está que facilmente conectam instituições governamentais ao comércio de drogas, penetrando este último nos setores legais da sociedade. Esses setores frequentemente exercem suas atividades na economia formal, mas auferem uma parte considerável de seus...
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