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GOHN, Maria da Glória.
 Movimentos sociais e redes de mobilizações civis no Brasil contemporâneo. Petrópolis: Vozes, 2010. 190 p.
Especialmente na última década, as discussões em torno dos movimentos sociais ficaram restritas, através da maior parte da comunidade científica brasileira e latino-americana, a temas relacionados à "institucionalização" das práticas coletivas civis. Na contramão dessaliteratura, o novo livro de Maria da Glória Gohn (2010) é um convite instigante para a compreensão da heterogeneidade dos movimentos contemporâneos, pois mapeia as formas mais gerais de demanda e de lutas, suas práticas articulatórias e, desse modo, cria pontos de diálogo, intersecções. O objetivo do livro, como enuncia a socióloga, não é a tarefa de catalogar os movimentos sociais da atualidade,mas apresentar uma "foto" recente do universo social das ações coletivas condensadas em movimentos sociais e em redes de mobilizações para, com isso, mostrar ao leitor que é preciso "atravessar o rio para conhecer o outro, o diferente", como fez o rebelde Che Guevara.

Para tanto, coube à autora, em um primeiro momento, recuperar a conjuntura social através das categorias analíticas que sedestacam no debate da sociologia dos movimentos sociais no Brasil e na América Latina. O desdobramento está assentado a partir das experiências históricas recentes dos movimentos sociais (campesino-indígenas, étnicos, insurgentes): eles não são, segundo as palavras da autora, "apenas reativos", mobilizados tão somente por necessidades, mas igualmente exercem uma "reflexão sobre sua própria existência",incorporando, em medidas crescentes, um campo de temáticas amplas que perpassa a totalidade das instâncias reguladores da vida social. As ações coletivas atuais, para a autora, seriam expressões concretas de ressiginificação do ideário iluminista, ancorado nos pilares da igualdade, fraternidade e liberdade: "a igualdade é ressignificada com a tematização da justiça social; a fraternidade seretraduz em solidariedade; e a liberdade associa-se ao princípio da autonomia – da constituição do sujeito, não individual, mas coletivo." (Gohn, 2010, p.16). Tais convulsões sociais contemporâneas estariam associadas a uma mesma conjuntura de internacionalização dos processos econômicos e culturais, reconfigurando, igualmente, uma nova morfologia na geopolítica contemporânea, na medida em que o"alargamento das fronteiras dos conflitos e tensões sociais" impõe-se de maneira mais nítida.
As metamorfoses conjunturais foram acompanhadas, também, por recriações no campo conceitual. Observando a emergência dessas novas categorias, a autora traça um breve mapa da produção teórica atual sobre os movimentos sociais, apontando as principais mudanças ocorridas em, pelo menos, quatro categorias, a saber:oterritório, que, em um primeiro momento, seria associado a um espaço físico, passando doravante a se articular "à questão do direito e a disputas pelos bens econômicos", ao passo que também assume pontos de contato com as chamadas redes, transpondo as fronteiras nacionais e formando novos espaços de luta; a categoriaidentidade, por outro lado, não mais estaria "definida de acordo com oposicionamento dos membros de um grupo social" (p.31), ou seja, pré-construída, mas seria agora uma identidade em construção, modelada para a inclusão de determinados sujeitos, concatenados no processo de luta, no campo do possível; a rede social aparece como outra categoria, quiçá até mais importante que o movimento social. Todavia, a larga utilização do conceito de rede social provocaria, constata aautora, uma polissemia da categoria – além de recorrente modismo e ecletismo vulgar –, dificultando, em certo sentido, sua compreensão. Diante disso, destaca as principais matrizes teórico-analíticas sobre as chamadas redes e – apoiando-se nas ponderações de Ilse Sherer-Warren – as considera como "uma possibilidade de retratar a sociedade civil, captando uma integração de diversidades." (p.33). De...
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