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- 54 Por uma Pedagogia da Educação Infantil

Altino José Martins Filho1

Resumo: Este artigo é um estudo sobre a necessidade de traçarmos caminhos epistemológicos na construção e difusão de uma Pedagogia para a educação das crianças de zero a seis anos. Para tal objetivo, buscou-se o apoio da Sociologia da Infância e das produções teóricas na área da educação infantil brasileira. Notranscorrer do texto, apontamos que a constituição de uma Pedagogia da Educação Infantil passa pela discussão sobre a função da educação das crianças pequenas e pela própria definição das suas especificidades.

Palavras-chave: Educação Infantil – Sociologia da Infância – Pedagogia da Educação Infantil

Abstract: This article is a study about the necessity to trace epistemological ways in theconstruction and diffusion of a Pedagogy zero until six years old’s children’s education. For such objective, the support of the Sociology of Infancy and the productions in the area of the Brazilian infantile education searched. In the text, we point that the constitution of a Pedagogy of the Infantile Education presupposes education function of small children and its own specificities.

Key words:Infantile education – Sociology of Infancy – Pedagogy of Infantile Education.

Docente da Educação Infantil na Rede Municipal de Florianópolis. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Educação de 0 a 6 anos – NEE0A6/UFSC. Revista Poíesis -Volume 3, Números 3 e 4, pp.54-65, 2005/2006

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Altino José Martins Filho

1 – Rumo a uma especificidade
Diego não conhecia o mar. O pai,Santiago Kovadolff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo,gaguejando, pediu ao pai: Me ajuda a olhar! (Eduardo Galeano) Trazemos para abertura deste texto a epígrafe de Eduardo Galeano, pois ela expressa o desafio que temos pela frente na busca pelo afinamento de um olhar e uma escuta atenta aos modos de ser das crianças de zero a seis anos, no sentido de aprender a ver, observar e conhecer, para tomá-las como ponto de partida para a organização dotempo/espaço no interior das creches e pré-escolas. Trago o tom poético por considerá-lo profundo, uma vez que o próprio Galeano nos ajuda a perceber o quanto nosso olhar se fecha para o mundo, tornando as imagens do cotidiano opacas, ofuscantes, quase invisíveis, sem mais sentido. O autor nos faz um convite a olharmos para o mundo de maneira que possamos enxergar sua beleza, mundo escondido, distantepara alguns, próximo demais para outros, mas sempre repleto de contradições e incertezas cotidianas. Da mesma maneira que o menino pede ajuda para seu pai para poder ver o mar, nós, profissionais da educação infantil, estamos iniciando um movimento para conhecer as crianças a partir de si mesmas, ou, como nos ensina Qvortrup (1995, p.5), aprendendo a “adotar o ponto de vista das crianças,estudando-as pelo seu próprio mérito”. Referencia-se que os espaços de vivências em creches e pré-escolas precisam valorizar a espontaneidade das crianças, tornando-as agentes participantes e parceiras nas decisões educacionais, superando a perspectiva adultocêntrica sobre as pequenas meninas e os meninos e seus respectivos mundos sociais e culturais, objetivando dar contornos cada vez mais nítidos àPedagogia da Educação Infantil, pautada nos estudos de Rocha (1999) e Faria (1999)2.
Ressalto que grande parte do esforço em traçar uma Pedagogia para as crianças de zero a seis anos, tem dedicado especial atenção a tradução da perspectiva italiana (escolas da região de Reggio Emilia) de educação. Seu sistema municipal de educação infantil tem sido referência para muitos países. Revista Poíesis...
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