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Conhecimento Prático Filosofia

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Reportagens
Ideias

O bem e o mal na filosofia
Em crise, conceitos polarizados perderam sua essência universal entre os
homens e a sociedade
POR CLEBER BAESSA MESTRINER*

A filosofia é, desde sempre, o ambiente de encontro dos mais
variados pensamentos. Ela é aindústria da criação e da modificação
dos conceitos, e um conceito é aquilo que determina o modo como
interpretamos qualquer acontecimento. Necessitamos deixar claro
que não é a filosofia quem diz algo sobre alguma coisa. A filosofia
não diz nada, ela se cria a partir do que é dito por aqueles que com
competência têm o privilégio de serem os transmissores dos mais
elevados modos de aparição do ser,do não ser e do devir, sempre

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isso expressado em forma de discurso.
É desde a antiguidade que os sábios se ocuparam com as vias do

Heráclito de Éfeso

pensamento, gravando na história um processo de desenvolvimento

Por volta de 490 a.C., escreveuuma
obra que seria intitulada anos depois
como "Sobre a Natureza", da qual
existem mais de 100 fragmentos que
explicam o título de "Obscuro".
Considerado por especialistas um
pensador pré-socrático importante e
influente, formulou de forma definitiva
a questão em torno da unidade
permanente do ser diante da
pluralidade e mutabilidade das coisas
transitórias.

ininterrupto da arte deinterpretação. Os conceitos de Bem e Mal
estão essencialmente circunscritos nesse processo histórico de
meditação pensante. Bem antes da era cristã, vislumbramos
estudiosos que se detinham com esses conceitos. Não é possível,
contudo, em um curto espaço de tempo, identificar todos os que se
envolveram com a questão do Bem e do Mal. Traçaremos um perfil
histórico, digase de passagem, bastanteresumido, da relação
conceitual entre Bem e Mal.
PRÉ-SOCRÁTICO

Encontramos no pensamento de dois présocráticos as duas linhas do desenvolvimento pensante que
desejamos apresentar aqui para os conceitos de Bem e Mal. Em Heráclito

de Éfeso

(540-470

a.C.), propriamente não está dito que o Mal seja o ser das coisas. Mas está dito que a natureza se
comporta de apenas um modo, a maneirada discórdia: "É preciso saber que o combate é o-queé-com, e justiça [é] discórdia, e que todas [as coisas]vêm a ser segundo discórdia e necessidade."
Isso que Heráclito diz ser o-que-é-com podemos entender como o caráter comum de tudo o que é. O
caráter comum, portanto, é a discórdia, o combate, conceitos que podemos aproximar ao conceito
Mal, porém, ainda não podemos identificá-los nemconfundi-los com este, justamente porque não está
aqui expressa nenhuma oposição entre discórdia e bem. Por isso, ainda não é possível associar o
conceito discórdia com o conceito Mal. Essa discórdia que é o caráter comum de tudo ainda não pode
ser entendida como nenhuma maldade. Uma outra perspectiva de pensamento, diferente dessa
proclamada por Heráclito, encontramos em Parmênides

de Eleia(530-460 a.C.). E este diz:

"Necessário é o dizer e pensar que [o] ente é; pois é ser; e nada não é." Parmênides atribui como
caráter comum de todas as coisas o Ser. Uma coisa só pode Ser; não sendo, apenas não é. Aqui
podemos fazer o mesmo que fizemos com Heráclito, porém, com o conceito oposto, o bem. Ainda
assim não encontramos nenhuma bondade. Podemos aproximar o Ser ao Bem, mas aindanão
podemos identificar um com o outro.

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NIETZSCHE X PLATÃO
Aparentemente, não conseguimos nada sobre a
relação entre o Bem e o Mal. Mera aparência,
pois, é a partir da relação entre a Discórdia
heraclitiana e do Ser parmediano que
vislumbramos em...
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