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O filho eterno (2008)

Alguns dados sobre o autor:
Cristovão Tezza nasceu em Lages\SC em 1952. Estudou Letras na Universidade de Coimbra, em 1974. Casa-se em 1977; muda-se para Florianópolis em 1984, onde lecionará Língua Portuguesa na Universidade Federal de Santa Catarina. Volta a Curitiba, em 1986, onde lecionou na Universidade Federal do Paraná até 2009, quando decide se dedicarexclusivamente à literatura. Outras obras do autor: A cidade inventada (1980), O terrorista lírico (1981), Ensaio da paixão (1982), Trapo (1988), Aventuras provisórias (1989), Uma noite em Curitiba (1995), O fantasma da infância (1994), O fotógrafo (2004).


O autor e o caráter autobiográfico
“É muito difícil um escritor escapar da própria vida. Elementos autobiográficos sempre estão presentes noque escrevemos. O que eu quis dizer é que "O Filho Eterno" é com certeza o meu único livro que trabalha diretamente com material biográfico. Nesse aspecto, sim, não tenho mais nada a dizer nessa área.”


O romance inicia com a ida dos pais ao hospital para o nascimento de Felipe. O pai conclui que há um papel que cada pai representa ao se tornar, inclusive surge um ambiente montado para talrepresentação no qual se deve demonstrar felicidade. O pai segue refletindo sobre a paternidade e conclui que é um terreno de ideias em que apenas temos a expectativa de algo imprevisível. Em momento de autocrítica, percebe que ele não tem nada, não tem emprego, nem casa e nem paz. Todavia, sente-se um predestinado à literatura, como se vivesse à margem, apesar de não conseguir sobreviver de seutrabalho. A noite avança, fica sozinho no corredor do hospital. Acredita que as coisas vão dar certo, pois são frutos do desejo.
Com 28 anos, curso de Letras inacabado, escreve textos que não saem das gavetas, dá aulas de redação e revisa teses e dissertações. Mesmo assim, sente-se otimista: eufórico, crê na possibilidade do filho significar uma definitiva mudança que ocasionasse a sua inclusão nosistema. Recorda-se dos versos do seu poema O filho da primavera, o qual será publicado por uma amiga na Revista de Letras. Conclui: o filho será a prova definitiva das suas qualidades. Entra no quarto, conversa com sua esposa, ela lhe avisa de que se trata de um menino. O pai reflete sobre as conseqüências de ter um filho: perde-se o privilégio da liberdade, pois da mulher ele poderia seseparar, mas do filho não. Observa o filho que está do outro lado do vidro da maternidade. O pai sorri.
A esposa questiona se os parentes já haviam sido avisados. A família é um horror necessário, pensa o pai. Quanto ao nome do bebê se decide por Felipe. Um nome com contornos definidos, conclui. Caminha em direção aos telefones públicos para os avisos aos parentes, tenta organizar em sua mente ascoisas. Reflete que agora não há mais como voltar atrás e isso é bom, como se estivesse abrindo a porta para o futuro e fechando a do passado. Lembra-se de sua adolescência em Curitiba, cheirando alucinógenos nas praças. Olha no relógio e pensa que os parentes já devem estar chegando, uma aporrinhação. Os parentes chegam, estão alegres, o pai vai respondendo de forma superficial as perguntas sobre ofilho, respostas prontas como a de todos os pais de recém nascidos. A porta se abre e entram dois médicos. Uma tensão perpassa pela alma de todos. Um dos médicos põe a criança sob a cama. O outro começa a descrição. O pai imediatamente lembra-se de uma tese que havia corrigido sobre genética. Em sua memória lhes vieram as características da síndrome de Down, popularmente chamada de mongolismo nadécada de 80.
Para o pai, isso não poderia ser refeito, nem recomeçado. Buscando as causas do distúrbio genético do filho pensa sobre os antecedentes hereditários da esposa. Alguns anos antes, o casal descobriu, através de exames, que devido à condição genética da esposa, o casal teria 50% de chance de ter um filho que manifestasse algum problema. O pai se recusa a olhar para a mulher, para o...
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