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O Papel do Jornalismo no Processo Democrático: A ética
do discurso como essência da democracia deliberativa

Heitor Costa Lima da Rocha & Rafael Salviano Marques Marroquim

E-mail: heitor@nlink.com.br, rafael_marroquim@yahoo.com.br

O

noticiário está imerso na realidade interpretada pelos homens e subjeti-
vamente dotada de sentido para eles na medida em que formaum mundo
coerente. A formação desse presente comum, no entanto, cria, em determi-
nadas situações, fendas na constituição tanto de técnicas quanto no campo do
discurso dos meios que contribuem para o desenvolvimento de fossos da notí-
cia. No caso específico da análise no campo político - com o envolvimento de
atores como movimentos sociais, sociedade civil e os profissionais políticos -,
essadisrupção aponta para uma das causas da falta de participação política e
também da ausência de crítica com o reforço em mesmos âmbitos discursivos
(pseudo-polifonia de fontes).
Ao ambientarem a política sob a lógica do input dos votos e do output do
poder (modelo liberal de democracia), os periódicos criam as primeiras fen-
das na formação do que denominamos de fosso político da notícia. Aestrutura
informativa deste tipo de cobertura – com recorrência às fontes oficiais, foco
nas intrigas ‘palacianas’ do parlamento, ausência de debate e crítica no trata-
mento de certos temas -, deixa rastros de uma autonomização dos represen-
tantes (profissionais políticos) ante a ação dos representados. Neste sentido, o
papel do cidadão consiste em escolher periodicamente os seusrepresentantes,
restrito ao sustentáculo liberal do voto e não necessitando se envolver direta-
mente na esfera pública política.
Em ângulo oposto, encontra-se a ampliação dessa arena de visibilidade
da vida coletiva compartilha a partir de uma noção mais abrangente da ativi-
dade política e de inclusão que, como procedimento, prevê a deliberação entre
atores, o diálogo político. Na concepção deliberativade democracia “as de-
cisões que afetam o bem-estar de uma coletividade devem ser o resultado de
um procedimento de deliberação livre e razoável entre cidadãos considerados
iguais moral e politicamente” (BENHABIB, 1996, p. 69). Um processo que
se alimenta e depende de informação.

Estudos em Comunicação nº9, 143-160

Universidade Federal de Pernambuco, Brazil

Maio de 2011

144Heitor Costa Lima da Rocha & Rafael Salviano Marques Marroquim

Do ponto de vista de práticas malsucedidas e certezas de ação abaladas,
as argumentações divulgadas pela mídia procuram ter uma espécie de função
reparadora. Isto explica por que os participantes da argumentação reconhecem
não ter motivos para manter a atitude reflexiva, após o esgotamento de todas as
objeções apresentadas, e seconvencem da legitimidade de uma pretensão de
verdade, compreendendo esta bem-sucedida desproblematização da discussão
sobre a verdade como um sinal para retomar uma postura ingênua diante do
mundo (HABERMAS, 2004, p. 50).
No lugar da resistência dos objetos, nos quais nos deparamos no mundo da
vida, o jornalismo deve expor nas controvérsias o embate dos adversários so-
ciais, cujasorientações axiológicas entram em conflito. No entanto, para que
as pretensões de validade moral articuladas pelo jornalismo atinjam a força
de um reconhecimento de legitimidade análoga à verdade, é preciso que se
orientem por uma expansão constante dos pontos de vista de setores sociais
excluídos na discussão pública, para que possa se compensar a ausência da re-
ferência ao mundo objetivo. Assim,cabe-se refletir sobre as modalidades de
acesso no campo jornalístico e de uma postura normativa e pós-convencional
de verdade que garanta a incursão deliberativa de temas e ações no espaço pú-
blico de modo a diminuir as fendas assentes no distanciamento patente entre
representantes e representados no mundo da vida.

A imprescindível interação da política e da comunica-
ção

Assim como...
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