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Depoimentos de pais e mães homossexuais que adotaram

Em janeiro de 2007, a Crescer ouviu casais homossexuais e seus filhos (adotivos e biológicos). Encare estas novas famílias com naturalidade e ensine seu filho a viver sem preconceitos

Construir uma família
Nossa "gestação" começou no dia 3 de junho de 2005, quando a Justiça de Catanduva, cidade no interior de São Paulo, nos autorizou aentrar na fila da adoção. Após 13 anos de união, decidimos que era hora de ampliar a família. Como todo relacionamento, o nosso também teve fases. Namoramos, casamos e sentimos a necessidade de dar continuidade à nossa relação. Só uma criança teria essa capacidade. Fomos então pedir permissão à Justiça. A rápida decisão favorável surpreendeu. 
Hoje, com a Theodora em casa, descobrimos quetínhamos uma centena de coisas para aprender. Passear nos fins de semana, ter horários fixos, manter um bom estoque de comida e até deixar o uniforme limpo para o próximo dia de aula. Ah, ela adotou um vira-lata, o Gaia. A prateleira do quarto dela tem dezenas de bonecas, mas é superorganizada. Só sai de casa com o cabelo arrumado e perfumada. É muito vaidosa. 

Por essas atividades rotineiras, nem eunem o Júnior tínhamos passado. E eu não sei mais viver sem. Em uma consulta com o pediatra, levei-a no colo. As mães adoraram ver um pai no médico, se preocupando com a saúde da filha. Diziam que os maridos nunca fizeram isso. Mas, quando em outra consulta, conheciam meu parceiro, às vezes, ficavam reticentes. Por que posso ser um bom pai sozinho e não acompanhado pelo meu companheiro? 

Édifícil que essas situações constrangedoras aconteçam, porque somos muito queridos na cidade. As pessoas nos conhecem e sabem o quanto desejávamos construir uma família. Tudo que nos chega é positivo. O relacionamento com outros pais é natural. Também, só fazemos os programas dela (risos). Já tivemos a fase das conversas ‘reveladoras’. Como ela chegou com 4 anos, sabia um pouco da sua história, mas nóscontamos tudo de novo. Explicamos que ela era adotiva e do amor que sentimos quando a vimos pela primeira vez. Ela colocou um anel, daqueles que vêm em doces, na mão do Júnior. Era o início do nosso compromisso. Apresentamos a madrinha, uma espécie de mãe para ela. Até inventei uma historinha: a letra M juntou com a letra A, rolou morro abaixo e virou madrinha. 
Nosso vínculo afetivo foi imediato.Temos agora a guarda definitiva. Na certidão, consta o nome dos dois pais. Mas, durante mais de um ano, tínhamos de falar com a juíza periodicamente. A Theodora sempre me perguntava se ia continuar conosco. Eu dizia que sim. Na última vez, perguntei se ela queria mandar um recado para a juíza. Ela disse: ‘Fala para ela obrigada, porque eu estou muito feliz’." 

Vasco Pedro da Gama Filho, 35anos, e Dorival Pereira de Carvalho Júnior,43 anos, cabeleireiros, colunistas sociais e donos de uma agência de modelos, são pais de Theodora, 5 anos, Catanduva, SP 


Revista CRESCER, PAGINA 1

"A Bianca chegou em nossa casa de uma maneira muito peculiar. Eu e aKátia já estávamos juntas há cinco anos, e pensávamos em formar uma família. Até que me contaram a história da Bi, uma criança fruto de um adultério e que sofria maus-tratos. Eu e a Kátia resolvemos conversar com a mãe biológica. Telefonei, fui conhecê-la, mas sem compromisso formal. Até que no sábado à noite notei recados na secretária eletrônica. A criança já estava nos esperando, na casa de outrapessoa, com a certidão de nascimento e a carteira de vacinação. Se não tomássemos uma iniciativa, ela poderia não ter outra chance. Fomos buscá-la e demos banho nela. A água saía cor de terra, saía abandono. 

Fomos ao juiz, apresentamos o caso e, felizmente, consegui a guarda dela em maio de 2006. Mas a Kátia ainda não foi reconhecida como mãe adotiva também. Este é um dos empecilhos por...
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