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  • Publicado : 4 de junho de 2011
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ANGOLA – AS SOCIEDADES BANTU

1. UNIDADE E DIVERSIDADE

Os Bantu, subgrupo dos negro-africanos, identificam-se basicamente pela afinidade linguística (todos usam o radical “ntu” para pessoa). Mas a história da evolução das relações linguísticas é também indicador de um património cultural comum em muitos outros aspectos, o que não exclui a diversidade. Angola encontra-se na encruzilhada decivilizações importantes da metade Sul de África.

As culturas Bantu representam a principal matriz da sociedade angolana actual. Os povos que hoje conhecemos formaram-se a partir de migrações em diferentes épocas, mas nem sempre foi preciso haver migrações para que houvesse adopção de línguas, técnicas, e instituições de uns por outros.

Nesta região de África, houve estruturas políticascentralizadas (Kongo e Ndongo até Séc. XVII, Matamba, Kasssange, Bié, Bailundo e Lunda, até ao Séc. XIX, Kwanyama até ao Séc. XX).

2. ASPECTOS MAIS RELEVANTES DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS PRINCIPAIS GRUPOS ETNOLINGUÍSTICOS

Os principais grupos etnolinguísticos de Angola são: Ovimbundu (língua umbundu); Ambundu ou Akwambundu (língua Kimbundu); Bakongo (língua Kikongo); Lunda- Cokwe (línguasCokwe Ulunda); Nganguela (designação genérica de povos no quadrante sudeste); Nya Neka-Humbe (línguas Lunyaneka e Lukihumbi); Ovanbo (a maior parte dos subgrupos sendo hoje namibianos, o mais importante em Angola é o Kwanyama); Helelo (Herudo); Kindongo e finalmente, uma pequena minoria de povos não Bantu, com destaque para os Kung (Boswuímanes), caçadores- colectores descendentes dos mais antigoshabitantes desta região austral.
Os limites de territórios historicamente pertencentes a cada um destes povos só se podem traçar dentro de períodos curtos (poucas gerações ou algumas centenas de anos no máximo). Nos antigos estados conhecidos, encontramos uma grande variação das fronteiras, com sobreposição e integração de povos diferentes, alianças, conflitos e cisões. Os séculos de tráfico deescravos e comércio a longa distância contribuíram também decisivamente para essa dinâmica populacional.

BAKONGO (Língua Kikongo)

O Reino do Kongo foi o primeiro onde os portugueses contactaram e durante quase cem anos (1482-1575) foi o seu parceiro principal na área, numa relação nem sempre pacífica. A chefia do Kongo, inicialmente reforçou o seu poder e prestígio, utilizando nomeadamente areligião católica que com Mvemba a Nzinga (Afonso I) contribuiu para mudanças substanciais na sociedade. Em 1598, um dos seus filhos, Henrique, tornou-se o primeiro bispo católico negro. Ao contrário do progresso que Afonso I desejava, a influência externa na política local e o tráfico negreiro acabaram por levar o reino à decadência. A fundação de Luanda, em 1575 deus aos portugueses uma melhor basepara o negócio e a possibilidade de combater a próprio Kongo.

A batalha de Ambuíla (1665) marcou a viragem decisiva: o rei e a principal nobreza do Kongo foram mortos. O Kongo manteve a independência formal até à segunda metade do séc. XIX mas com o poder político enfraquecido, com crises dinásticas, guerras civis e períodos de instabilidade, alternando com tentativas de renascimento.

Naconferência de Berlim (1885), a bacia do Rio Zaire foi definida zona de comércio livre internacional e os Bakongo foram repartidos entre o Congo francês, o Congo belga e Angola (Congo português) que incluía Cabinda, Zaire e Uíge. Os Bakongo integrados na colónia de Angola sofreram como outros o recrutamento forçado como carregadores e trabalhadores agrícolas. A grande revolta de 1943, liderada porÁlvaro Buta, obrigou Portugal a alterar a sua política de recrutamento de mão-de-obra na região mas o desenvolvimento da cultura de café a partir de 1940 veio trazer novas tensões na área, com a colonização branca a expulsar os agricultores negros. Os Bakongo continuaram a emigrar para o Congo belga, procurando melhores oportunidades comerciais e de escolaridade para os seus filhos. A situação...
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