Trabalho

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  • Publicado : 1 de abril de 2012
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Na data de seu aniversário de 80 anos, dia 9 de agosto, Ignez Baptistella lançou Voo Livre - A História de uma Mulher que Ousou Enfrentar o Mundo. Seu livro serviu como uma resposta para as muitas pessoas que a criticaram e a chamaram de louca. Motivo: ela, uma dona de casa, mãe de seis filhos, deu um basta no casamento de 27 anos, aparentemente perfeito, abdicando de vida confortável parasimplesmente viver - e destituída dos bens e pensão.
Com os rebentos bem-criados, aos 50 anos, ela juntou o pouco que tinha e rumou para Londres com a intenção de estudar inglês. Para quem vivia em função da família, a decisão de virar a mesa foi um ato de heroísmo. Além da enxurrada de críticas, a cidade onde morava (e mora atualmente), Araras, interior de São Paulo, ficou em polvorosa. Ignez foiexcluída da sociedade, da família e ainda foi tachada de louca.
Ela, porém, não se intimidou e se mandou para a Europa com uma mochila nas costas, sem saber uma palavra em inglês. Com coragem e determinação, matriculou-se em uma escola e passou a se manter com bicos. Fez de tudo: de babá a faxineira. Com o que ganhava, viajou por vários países, sempre sozinha. Tirou certificado de proficiência eminglês pela conceituada Universidade de Cambridge.
Após quase 10 anos na estrada, Ignez volta ao Brasil e até hoje se sustenta dando aulas particulares do idioma. É essa história - inspiradora - que ela conta em seu livro.
Como foi essa virada?
Foi como um telhado que precisava de reparos. Cada vez que chovia, havia goteiras por toda a parte, até que um dia a casa caiu. Meu marido me via apenascomo uma serviçal. Tudo na casa tinha que estar perfeito. Se faltasse um botão ao vestir a camisa, comprava uma guerra por mais de uma semana. Se faltasse cerveja na geladeira, a guerra era maior, e assim por diante. Uma vez, me lembro muito bem, tirei tudo do armarinho do banheiro para uma boa limpeza, ao voltar as coisas para o lugar, me atrapalhei com as escovas de dente que eram oito! Ele mechamou como se eu tivesse cometido um crime. Naquele dia eu quis morrer!
O desgaste impulsionou a sua transformação?
Lentamente, tropeçando nos acidentes, fui me distanciando do homem com o qual eu havia me casado por amor. Se por muitos anos aceitei as coisas como eram, achando que deveriam ser assim mesmo, aos poucos, comecei a cobrar dentro de mim meus direitos. Confesso que muitas vezes tivevontade de fugir. Mas ir para onde com seis filhos pequenos e sem dinheiro? Sem perceber, comecei a alimentar o sonho de ser livre e recomeçar minha vida.
De onde veio essa sua coragem?
A vontade de me separar veio da vontade de viver! Eu era saudável, sempre me levantei junto com o sol, podia trabalhar, não ficaria debaixo de uma ponte, tampouco esperaria que as coisas caíssem do céu.
A senhoraconta que foi tão criticada que até acreditou nisso e resolveu se internar em uma clínica psiquiátrica. Por quê?
Fui tantas vezes chamada de louca! Nosso médico de família chegou a dizer a meu marido que a mulher, ao passar pela menopausa, pode ter um comportamento estranho, mas que aquilo passaria. Talvez eu estivesse ficando louca mesmo, pensei. Pedi para ser internada na Granja Julieta, emSanto Amaro (bairro paulistano), uma clinica psiquiatra. Àquela altura, eu já tinha decidido sair do casamento, mas queria o certificado de louca ou de sã.
O livro foi uma resposta àqueles que a picharam?
A principio, eu escrevia um relatório, era o meu legado aos filhos, nem eles sabiam o que havia sido minha vida, porque nunca haviam me questionado. Se não tinha valores reais para lhes deixar, eutinha uma história. Foi para meu filho Eduardo que um dia contei o que estava escrevendo, e ele me pediu para lhe entregar quando terminasse. Ele pegou o manuscrito e entregou ao jornalista Sergio Kombaiashi, que amou. Hoje o livro é uma resposta aos que me apedrejaram
Outro motivo para a sua mudança radical foi a sexualidade reprimida?
Se havia sexualidade reprimida, por outro lado era bem...
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