Trabalho sobre o texto de osvaldo j. lópez-ruiz, “os executivos das transnacionais e o espírito do capitalismo: capital humano e empreendedorismo como valores sociais” e o filme gattaca.

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André Carvalho Ferreira da Rosa RA: 101479
HZ 954A - Tópicos Especiais em Sociologia IX
Professor Doutor Laymert Garcia dos Santos

Trabalho
Acerca do livro do sociólogo Osvaldo J. López-Ruiz, “Os Executivos das transnacionais e o espírito do capitalismo: capital humano e empreendedorismo como valores sociais” e da palestra do mesmo sociólogo, “O humano-capital: considerações sobre‘capital humano’, neoliberalismo e biotecnologia” pretendo discorrer sobre algumas reflexões a respeito de temas sociais, bem como algumas reflexões sobre o filme “Gattaca”, todas apoiadas e suscitadas nas questões propostas por Osvaldo J. López-Ruiz em seus dois trabalhos (livro e palestra).

‘Capital Humano’ e Neoliberalismo

Nesse sentido cabe aqui percorrer, brevemente, os principaispontos sobre os quais se alicerçam as reflexões a seguir.
Assim sendo, o autor defende que no fim do séc. XIX, nos Estados Unidos da América, a sociedade era composta por um grande número de pequenos empreendedores, pequenos empresários, independentes que por si só cuidavam dos empreendimentos de modo a tocá-los da melhor forma. A partir da 2ª Guerra as propriedades, que outrora eram divididas entreos diversos e variados empreendedores, passaram por um processo de centralização, do qual resultou uma subseqüente e consequente mudança de conjuntura: pequenos empreendedores se enfraqueceram e minguaram e surgiu uma grande e numerosa classe média, de trabalhadores empregados das, agora grandes, corporações. Tais trabalhadores passaram a ser dependentes dessas grandes corporações, ou seja,“empregados dependentes” que autores como Whyte e Mills descreveram como “homens organização” e “colarinhos brancos”, respectivamente. A partir daí enfrentou-se uma crise na conjuntura econômica cuja principal questão era “quem” iria incrementar criativamente a economia uma vez que com as grandes corporações esses, agora empregados dependentes, tinham pouco estímulo para fazê-lo. A resposta para sanartal crise, segundo o autor veio na metade do século XX na escola de Chicago com o autor Schultz, ganhador do Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel em 1979 por esse seu trabalho. Schultz, segundo Osvaldo, inventou o termo “capital humano” (muito embora haja certa discordância sobre a invenção ou denominação do conceito ‘capital humano’). Para Schultz o capital humano sãocapacidades herdadas ou adquiridas (ou o homem tem o pode desenvolver), a partir das quais se pode estabelecer quanto valem para o mercado e qual o valor econômico que podem imputar e produzir. Certamente o percurso que o autor faz para a criação, aceitação e evolução da categoria “capital humano” é bem mais extenso e elaborado, mas aqui cabe entender como surgiu, na Escola de Chicago, em meados dadécada de 60 o referido termo.
A partir daí, os empregados dependentes passaram a ter uma nova motivação que os impulsionava, novamente, a agir segundo uma lógica empreendedora para incrementar sua mais nova propriedade – eles próprios. Em outras palavras, agora tinham novamente propriedade – suas habilidades e capacidades – das quais eram proprietários independentes e as quais deveriam incrementare assegurar manutenção como bons empreendedores.
A partir da ampla aceitação dessa categoria de capital humano, bem como da ideia de que se deve, ou pelo menos se espera que se invista nesse incremento e melhoramento de tal capital humano, surgiu um novo ethos uma nova ética social que pressupunha justamente esse auto-empreendedorismo, esse investimento no capital humano. Investimento esse, queé um dos principais pontos desse novo ethos, desse novo “espírito do capitalismo” – denomina o autor fazendo alusão à obra clássica de Weber “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. O que aconteceu, de fato, foi uma mudança de valores que culminou na “transfiguração” do que era denominado consumo que foi, a partir daí, chamado de investimento. Investimento no capital humano para...
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