Trabalho no brasil

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A QUESTÃO DO TRABALHO NO BRASIL

Quando analisamos o trabalho no Brasil, não podemos nos esquecer de que ele está ligado ao envolvimento do país na trama internacional, desde que os portugueses aqui chegaram no século XVI. Basta lembrar que a "descober¬ta" do Brasil aconteceu porque havia na Europa o movimento das expansões ultramarinas, em que os europeus esquadrinhavam os oceanos em busca denovas terras para explorar e de novos produtos para incorporar ao processo de desenvolvimento mercantilista. A produção agrícola para a exportação e a presença da escravidão no Brasil também estão vinculados à vinda dos euro¬peus e, é claro, todo o processo de industrialização-urbanização a partir de 1930 até hoje.
No final do século XIX, com a abolição da escravidão no Brasil, encer¬rou-se umperíodo de mais de 350 anos de predomínio do trabalho escravo. Portanto, nós só convivemos com a liberdade formal de trabalho há pouco mais de cem anos. Esse passado de escravidão continua pesado.
As primeiras décadas depois da escravidão
Mesmo antes do fim da escravidão os grandes proprietários de terras, prin¬cipalmente os fazendeiros paulistas, procuraram trazer imigrantes para traba¬lhar emsuas terras. A primeira experiência de utilização da força de trabalho legalmente livre e estrangeira foi realizada pelo senador Vergueiro, grande fazendeiro da região oeste de São Paulo que, em 1846, trouxe 364 famílias da Alemanha e da Suíça. Em 1852, importou mais 1,5 mil colonos e, pos¬teriormente, propôs-se trazer mais mil colonos por ano. Isso era feito com a ajuda financeira do governo daprovíncia de São Paulo, que arcava com os custos da importação e ainda subvencionava as empresas agenciadoras de mão-de-obra estrangeira.
O sistema de trabalho então adotado ficou conhecido como colonato, pois as famílias que aqui chegavam assinavam um contrato nos seguintes termos: o fazendeiro adiantava uma quantia necessária ao transporte e aos gastos iniciais de instalação e sobrevivência doscolonos e de sua família. Estes, por sua vez, deviam plantar e cuidar de um número determinado de pés de café. No final da colheita, seria feita uma divisão com o proprietário. Os colonos eram obrigados a pagar juros pelo adiantamento e não podiam sair da fazenda enquanto não houvessem saldado sua dívida, o que demorava muito, uma vez que o adianta¬mento era sempre maior que os lucros advindos docafé. Assim se criava o que passou a ser conhecido como "parceria de endividamento", porque o colono não conseguia pagar a dívida contraída com o fazendeiro. Essa dívida, muitas vezes, passava de pai para filho, de tal modo que os filhos ficavam hipotecados desde o início do contrato.
As experiências iniciais não foram bem-sucedidas, pois os colonos não aceitavam tamanha exploração e muitas vezesfugiam da fazenda ou se re¬voltavam contra esse sistema, como foi o caso da revolta na fazenda Ibicaba, de propriedade do próprio senador Vergueiro, em 1857. Acrescente-se a isso a pressão dos governos estrangeiros para minorar os males infligidos a seus cidadãos no Brasil. A imigração ficou estagnada até os anos 80 daquele século, quando foi retomada com novo vigor. Isso pode ser verificado pelosseguintes dados: no período de 1820 a 1890, emigraram para o Brasil 987 461 pessoas. Nos dez anos seguintes, de 1891 a 1900, o total foi de 1129315 pessoas. Nos trinta anos seguintes, esse movimento prosseguiu, com uma média de quase 1 milhão de pessoas a cada dez anos.
A maioria dessas pessoas foi trabalhar no campo, mas outras se estabele¬ceram nas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, ondetrabalhavam nas indústrias nascentes, no pequeno comércio e como vendedores ambulantes de todo tipo de mercadorias. As condições de vida desses trabalhadores não eram das melhores e o nível de exploração nas fábricas era muito grande, de tal ma¬neira que os operários trataram de se organizar em associações e sindicatos.
A partir dos primeiros anos do século XX, os trabalhadores urbanos...
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