Trabalho de sociologia - resenha critica sobre o livro vigiar e punir

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 6 (1486 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 13 de novembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Na delegacia só tinha viciado e delinqüente
Cada um com um vício e um caso diferente...
GABRIEL PENSADOR – CACHIMBO DA PAZ


Em “Vigiar e punir”, Foucault demarca o nascimento da prisão no século XIX, como uma instituição de fato. A que surge sem uma justificação teórica, aparecendo num momento como necessária na construção da rede do poder para controlar todas as formas deilegalismo.

Ao focalizar o estudo da prisão e as práticas jurídicas, ele expõe mais uma vez o Direito clássico. E afirma ser o surgimento da prisão uma ascendência da reforma do Direito penal do século XVIII, promovida pela combinação do controle moral e social dos indivíduos na Inglaterra combinada com a instituição estatal francesa de reclusão, com local e edificação definidos.

Foucault promove umdeslocamento essencial sobre os motivos aparentemente circunstanciais do surgimento da prisão e acentua que desde o começo ela deveria ser um instrumento tão aperfeiçoado de transformação e ação sobre os indivíduos como a escola, o exército ou o hospital.

Foucault afirma que:
"A sociologia tradicional colocava o problema nos seguintes termos: como a sociedade pode fazer indivíduoscoabitarem?... Eu estava interessado no problema inverso, ou, se preferir, na resposta inversa para esse problema: através de que jogo de negação e recusa a sociedade pode funcionar? Mas a questão que hoje me faço se transforma: a prisão é uma organização complexa demais para ser reduzida a funções negativas de exclusão: seu custo, sua importância, o cuidado com sua administração, as justificativas que seprocura lhe dar parecem indicar que ela possui funções positivas."
 
"É interessante notar que a prisão não será uma pena do direito, no sistema penal dos séculos XVII e XVIII. Os legistas são perfeitamente claros a este respeito. Eles afirmam que, quando a lei pune alguém, a punição será a condenação à morte, a ser queimado, a ser esquartejado, a ser marcado, a ser banido, a pagar uma multa, etc.A prisão não é uma punição."

Quando o indivíduo perde o processo e é declarado culpado, ele deve ter uma reparação à vítima, isto é, obriga-se do culpado não somente a reparação da ofensa que cometeu contra o soberano, a lei e o poder monárquico. Por isto os mecanismos da multa, da condenação à morte, do esquartejamento, do banimento, etc.

No âmbito do direito penal, passa-se a enunciar oscrimes e os castigos que preconizam o controle e a reforma psicológica e moral das atitudes e do comportamento dos indivíduos, diferente daquela prevista no século XVIII, que visava tão somente a defesa da sociedade.

Sobre salta Foucault que a prisão, não deve remeter as palavras e conceitos completamente diferentes, como a delinqüência e o delinqüente, que exprimem uma nova maneira de enunciaras infrações, as penas e seus sujeitos.

Foucault descobriu uma engenharia que atravessa quase meio século, praticamente despercebida, enquanto estratégia ou tática de poder.

Aparece, contudo, como uma mecânica de observação individual, classificatória e modificadora do comportamento, uma arquitetura formulada para o espaço da prisão, ou para outros agenciamentos, tais como: a fábrica, aescola, o manicômio. Essa maquinaria era o Panopticon, idealizada por Jeremy Bentham em 1791, e que se tornou o programa mestre da maior parte dos projetos de prisão por volta de 1830-1840.

"O Panopticon era um edifício em forma de anel, no meio do qual havia um pátio com uma torre no centro. O anel se dividia em pequenas celas que davam tanto para o interior quanto para o exterior. Em cada umadessas pequenas celas, havia segundo o objetivo da instituição, uma criança aprendendo a escrever, um operário trabalhando, um prisioneiro se corrigindo, um louco atualizando sua loucura, etc. Na torre central havia um vigilante. Como cada cela dava ao mesmo tempo para o interior e para o exterior, o olhar do vigilante podia atravessar toda a cela; não havia nela nenhum ponto de sombra e, por...
tracking img