Trabalho de psiquiatria

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TRABALHO DE PSIQUIATRIA: EPISÓDIO MISTO EM TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR


INTRODUÇÃO

Os episódios mistos são reconhecidos desde 1979, com um relato de caso de Brouchier, em que foi observado alternância entre melancolia e mania (apud Goodwin e Jamison, 1990). Em 1921, Kraepelin, que definia os estados mistos como uma combinação de sintomas de mania e depressão em três domínios (humor,atividade e pensamento), descreveu seis variáveis de estados afetivos. Na atualidade, o diagnóstico de estado misto ainda é um desafio. O DSM IV preconiza a concomitância de critérios para episódio depressivo e maníaco durante pelo menos uma semana. Já o CID 10, acrescenta à concomitância das síndromes a rápida alternância entre estes sintomas. Estudos recentes caracterizam estados mistos por episódiosdepressivos com pelo menos três sintomas maníacos (irritabilidade, agitação psicomotora e taquipsiquismo).

RELATO DO CASO

G.C.F., 27 anos, sexo masculino, solteiro. Apresentava queixa de insônia, ansiedade e perda de interesse nas atividades habituais há 2 anos. Antes do início dos sintomas, praticava corrida, saía com os amigos, gostava de estudar e conseguia se concentrar. Em 2007, foiperdendo interesse pela corrida e pelos amigos, começou a evitar sair com os mesmos, a ter insônia e a fazer uso de anti-histamínicos, bebida alcoólica e benzodiazepínicos para dormir. Procurou ajuda psiquiátrica, em que foi prescrito Escitalopram 10mg. Dois dias depois do início dessa terapia medicamentosa apresentou um ataque de pânico espontâneo quando estava em casa sozinho. Outro psiquiatraprescreveu Mirtazapina 30mg, em que teve discreta melhora dos sintomas depressivos, porém continuou com os ataques de pânico e começou a apresentar agorafobia, evitando situações de risco, como sair com os amigos para bares e discotecas. Trocaram a Mirtazapina por Paroxetina 20mg, quando iniciou quadro de ansiedade generalizada e depressão grave. Procurou psiquiatra assistente de nosso serviço em2008, que deu o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar tipo II em episódio misto e solicitou internação do paciente. Atualmente, refere melhora dos sintomas de abstinência por benzodiazepínicos e que está abstinente de álcool desde antes da internação. Não freqüenta psicoterapia em grupo, apenas a individual, gosta da terapia ocupacional, mas está difícil se concentrar. Passa o dia com o humorpredominantemente depressivo e, ao final do dia, refere que pensamentos pessimistas vêm à tona, mas nega agitação motora ou irritabilidade.

Sem antecedentes psiquiátricos fora o atual, nega episódios de irritabilidade, brigas, agitação psicomotora, euforia. A mãe foi entrevistada e disse que o filho sempre foi de pouca conversa, sempre teve bom desempenho escolar, namorava, saía com os amigos etambém nega episódios de euforia, irritabilidade, agitação psicomotora.

Ao exame psíquico apresentava barba por fazer, cabelo desarrumado, roupas adequadas. Vigil. Orientado temporoespacialmente. Atenção voluntária e espontânea preservadas. Memória de fixação e evocação preservadas. Pensamento sem alteração de forma, curso e conteúdo. Hipobulia. Achatamento afetivo, hiporressonante, humordepressivo. Crítica discretamente afetada, pois quando questionado sobre sua internação não sabe explicar.

MANEJO CLÍNICO E EVOLUÇÃO

Paciente internado com diagnóstico de Transtorno afetivo bipolar tipo II em episódio misto, abuso de álcool (resolvido) e dependência de benzodiazepínicos (em remissão), e tremor essencial. Em uso de Quetiapina 400mg/d, divalproato de sódio 1000mg/d, oxcarbazepina900mg/d, propranolol 160mg/d, olanzapina 5mg/d, prometazina 25mg/m, paroxetina 40mg/d. Realizando psicoterapia individual e terapia ocupacional. Atualmente com saída livre para a lanchonete do hospital. Mantém humor polarizado, afeto menos achatado, menos hiporressonante. Melhora da crítica e da hipobulia. Agora tem planos para quando sair do hospital (antes não sabia o que ia fazer). Aguarda...
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