trabalho de portugues

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"neoparnasianos" por seus opositores. Ainda que retomem certos princípios característicos do Parnasianismo, e mesmo do Simbolismo, todos esses autores se filiam ao movimento modernista - inclusive João Cabral de Melo Neto, que se incluía entre a Geração de 45 mas que, segundo os críticos, não pode ser enquadrado em grupo nenhum, tamanha a originalidade de sua obra.
Para Afrânio Coutinho(1911-2000), "com a geração de 45 a poesia aprofunda a depuração formal, regressando a certas disciplinas quebradas pela revolta de 22, restaurando a dignidade e severidade da linguagem e dos temas, policiando a emoção por um esforço de objetivismo e intelectualismo, e restabelecendo alguns gêneros fixos, como o soneto e a ode". É preciso lembrar, aliás, que essa preocupação com a forma já vinha seapresentando em poetas da geração anterior, como Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Jorge de Lima (1893-1953).
Recursos como os poemas-piada, o prosaísmo e a aparente falta de construção haviam sido utilizados pela primeira geração modernista para combater o rigor formal parnasiano. Consolidado o movimento, porém, esses recursos começaram a parecer excessivos para bom número de poetas, queprocuraram retomar formas tradicionais, ainda que recriando-as com novos ritmos. Os poemas Cabelos, os Meus Cabelos, de Péricles Eugênio da Silva Ramos, e Soneto Ocasional, de Domingos Carvalho da Silva, são exemplares dessa retomada do apuro formal. Outros traços formais relevantes seriam a busca da precisão da linguagem, a contenção emocional, a tendência estetizante e o estudo das teorias poéticas.No campo temático, os autores da Geração de 45 manifestaram preferência pela poesia existencial e social. O poema Com a Poesia no Cais, de Domingos Carvalho da Silva, ilustra o compromisso social e a postura crítica diante da realidade que caracterizam os autores do período, e que alcançam alto grau de expressividade em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.
Autores
João Cabral deMelo Neto (1920-1999) é o principal poeta surgido no período da Geração de 45, e figura entre os maiores poetas da língua portuguesa. Destacam-se também, nessa geração, os poetas Péricles Eugênio da Silva Ramos, Domingos Carvalho da Silva e Lêdo Ivo.
Segundo Antonio Candido, ainda que seja geralmente incluído no conjunto da Geração de 45, João Cabral de Melo Neto "distingue-se dele todavia sobmuitos aspectos". Para o crítico, "é visível nas suas fases iniciais certa marca de Murilo Mendes (1901-1975) e sobretudo Carlos Drummond de Andrade, sem prejuízo de uma forte originalidade, que foi-se acentuando até fazer de sua poesia um inconfundível monumento de radicalidade poética, onde a força da mensagem é função exata do rigor da construção, que experimenta com as sonoridades mais secas dapalavra, mediante um ânimo combinatório de que resultam figuras verbais com alto poder de sugestão."
Domingos Carvalho da Silva, para o crítico Adolfo Casais Monteiro, é "um poeta que, pela diversidade das formas reveladas ao longo da sua já extensa produção, pela larga escala de interesses que a sua poesia revela, não pode ser situada num grupo delimitado; as suas tendências impõem-nosreconhecer, pelo contrário, representar ele melhor o homem de hoje do que qualquer 'escola'.".
A respeito de Lêdo Ivo, afirmou o crítico Antônio Carlos Villaça (1928-2005): "é o mais prolífico e versátil da sua geração, que é a geração de 45. E concebe o poema à maneira de Valéry: 'o poema - esta hesitação prolongada entre o som e o sentido'. A geração de 45 começou exatamente com 'As Imaginações', deLêdo, 'O Engenheiro', de João Cabral, 'Mundo Submerso', de Bueno de Rivera. Há, em Lêdo, como em toda a sua geração, a tendência de voltar a uma disciplina poética."
Sobre a obra de Péricles Eugênio da Silva Ramos, o poeta Cassiano Ricardo (1895-1974) escreveu: "o vosso lirismo é grave, comedido, filtrado; o humano que praticais, também. Ambos presos a uma linhagem visceralmente imagística, que é,...
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