Trabalho de pedagogia

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EDUCAÇÃO, GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO:
O DEBATE PRECISA CONTINUAR!

Robinson dos Santos y Antônio Inácio Andrioli

INTRODUÇÃO
"Nós vivemos na era da globalização, tudo converge, os limites vão desaparecendo". Quem não ouviu,
no mínimo, uma destas expressões nos últimos anos? Globalização e neoliberalismo são, sem dúvida, marcas
de nosso tempo. No entanto, a discussão sobre o conteúdo detais conceitos está permeada de ambigüidades
e, para além dos modismos, ainda suscita dúvidas. Diagnósticos e suposições acerca de uma sociedade
mundial, uma paz mundial ou, simplesmente, de uma economia política mundial surgem seguidamente,
apontando para

processos de unificação e adaptação como suas conseqüências, assim como para o

nivelamento de padrões de consumo e uma crescente einevitável massificação cultural. Nesse sentido, é
pertinente o questionamento: trata-se apenas de conceitos comuns de nossa época ou de fenômenos que
indicam uma transição forçada? E, com vistas ao nosso objeto de discussão, quais são os efeitos da
globalização e do neoliberalismo sobre a educação?
A reflexão sobre os impactos e as conseqüências da globalização e da política neoliberal naesfera da
educação não é algo recente. Entretanto, parece que tais conseqüências e impactos foram gradativamente
absorvidos de tal modo que passaram a ser vistos como algo “normal”. Esta suposta normalidade é justamente
um dos fatores que influenciam o silêncio e o abandono do diálogo crítico sobre a realidade. Com o presente
texto pretendemos não apenas questionar essa postura passiva, masdemonstrar a urgência em
(re)introduzirmos sua tematização no horizonte de nossas preocupações teóricas.
O contexto atual, no Brasil - e no mundo - é marcado pela abertura política e principalmente econômica.
Crescem as corporações, as mega-fusões entre as indústrias nos mais variados setores em busca de
“sobrevivência”, pois, do contrário, o destino é a bancarrota. De modo paradoxal, algumas“fronteiras” caem
diante de um mercado mundial que se expande, outras se reforçam. Progressivamente, os países estão
perdendo a autonomia econômica e, junto com ela, sua autonomia política.
Essas transformações incidem tanto sobre a cultura como sobre a educação. Diante deste quadro não
há como pensar a educação isolada do próprio contexto (macro) sócio-político e econômico. Esta questão já
supõeduas faces da problemática na qual está envolvida a educação, aspectos que não se excluem,

necessariamente, mas a colocam numa situação, no mínimo delicada: autonomia ou submissão em relação
ao contexto? Em outras palavras, em que medida a educação é afetada por este contexto e em que medida
ela possui autonomia perante as transformações e oscilações políticas e sociais? Identificar osdesafios que
esta realidade coloca para o trabalho educativo é uma tarefa que continua em aberto.

Na medida em que o mundo torna-se um grande mercado, as relações pautam-se pelos critérios do
lucro e do consumo individualista. Como educar se, de acordo com essa lógica, a própria educação passa a
ser uma mera mercadoria oferecida de modo semelhante a qualquer objeto de consumo, no mercado global?Apesar de todos os esforços teóricos-práticos, o ideal de uma educação crítica e emancipadora continua
sendo o grande desafio. Não menos importante que isso, a escola ainda está desafiada a enfrentar outras
forças que também (des)“educam” como a internet, a televisão, o rádio, os jornais e revistas.
Como se pode perceber, são questões bastante complexas que se apresentam neste cenário. Se osefeitos de uma política e de u
ma economia orientadas pelos interesses de uma minoria continuam sendo
sentidos nas suas conseqüências devastadoras, então faz-se não só importante, mas necessária a
continuidade do debate. E, para que nossa reflexão seja o que pretende ser – subsídio para que o debate
continue – nós a estruturamos em duas partes: na primeira, caracterizaremos a globalização...
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