Trabalho de literatura

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  • Publicado : 7 de outubro de 2011
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RESUMO: A normalista, de Adolfo Caminha, foi publicado há mais de 110 anos, em 1893. É um dos romances mais naturalistas da nossa literatura e aborda questões polêmicas consideradas interditas pela ordem social e política reinante: o incesto e o adultério, sexo, traição, família, libido e desnuda seus personagens de toda e qualquer roupagem de pudor ou outra virtude que mereça algum louvor.

Naobra existe o regionalismo. O local em que se desenrola o romance é Fortaleza, no Ceará. A maioria das ações acontecem em ambiente fechado, caracterizado sempre como um lugar simples, sem luxo e povoado de sentimentos pequenos.

Segundo o professor e pesquisador literário, M. Cavalcanti Proença, Adolfo Caminha teve a preocupação de se não tornar pomposo ou oratório, o que abriu lugar para muitomaterial de linguagem regional de estilização do coloquial. Assim, recolhemos os exemplos “bichinha”, “rapariga de família”, “o peru era uma excelente bebida”, e mesmo ditos populares como: “pela cara se conhece quem tem lombrigas”, “sem tugir nem mugir”, e muitos outros. Na verdade, Adolfo Caminha não insiste em demasiado nas palavras de cunho regional, o que fazem outros escritores, para daruma “cor local” a histórias ambientadas em lugares de fala bem característica. Há, em contraste, utilização de palavras eruditas, pouco usadas na comunicação quotidiana das conversas, do jornal, da televisão. Por exemplo: “seródia”, “rótula”, “tabernáculo”, “estiolando”, “almiscarado”.

Adolfo Caminha descreve com minúcia realista a atmosfera regional do passado. Josué Montello, em seu ensaio Aficção naturalista, afirma que A normalista “sobressaía pela transplantação fiel e natural da vida da província e vigor na fixação dos temperamentos e dos caracteres”.

O autor de assume uma postura inovadora visto que entende o processo da leitura como forma de conhecimento que prepara o leitor para a vida e é também fonte de prazer. Ele tem uma perspectiva de ruptura em relação ao seu tempo.Essa natureza emancipatória se revela principalmente em relação à mulher. Lídia, sendo instruída e tendo livros em casa, conseguiu um lugar social. Por outro lado, Maria do Carmo, criada por um professor que não possuía livros em casa, educada num colégio religioso foi seduzida pelo padrinho. Entretanto, o autor subverte a lógica patriarcal da sociedade novecentista cearense e resgata sua personagemno desenlace da narrativa.

Maria do Carmo, leitora experimentada tanto de obras religiosas quanto de obras consideradas perniciosas, saberá como professora, avaliar melhor a questão da leitura na escola. Sua experiência no passado, servirá de embasamento empírico para seu posicionamento na sua futura profissão. Não foram as leituras proibidas, lidas pela personagem, que a levaram ao “desvio deconduta”, e sim a credulidade naquele que considerava como pai.

A Normalista, considerada obra "libidinosa", quando de seu lançamento, ajusta-se perfeitamente às propostas do Determinismo. João da Mata desfruta sexualmente de sua afilhada. Maria da Mata, moça ingênua, de uma excepcional brandura de caráter, educada em uma casa de caridade e depois normalista. Pressionada pelo instinto sexual epor circunstâncias superiores à sua vontade, Maria do Carmo entrega-se ao padrinho, submetendo-se totalmente à lascivia de João da Mata.

Neste romance, a normalista Maria do Carmo é o pretexto para Adolfo Caminha apresentar aos leitores sua visão da Fortaleza de final do século XIX. De um lado, o povo miúdo: o pequeno funcionário público, a mulher que vendia rendas, o barbeiro, o guarda-livros,o lenhador e o alferes. Na outra banda, o governador da província, o coronel Souza Nunes, seu filho Zuza - estudante de direito - o jornalista José Pereira, o diretor e os professores da escola normal. A fraqueza do nexo lógico sentimental ou de qualquer natureza entre as várias peripécias da vida de Maria do Carmo sugere que Adolfo Caminha não conta simplesmente a história dela para distrair...
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