Trabalho de campo - pesquisa social

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  • Publicado : 20 de outubro de 2012
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Capítulo 3: Trabalho de Campo: contexto de observação interação e descoberta
1. Introdução
Quando terminamos a fase exploratória de uma pesquisa qualitativa, cujo produto principal é o projeto de pesquisa no qual já está estabelecido o espaço para investigar e decidido com que grupo trabalhar, chega a hora de iniciar o trabalho de campo propriamente dito.
O trabalho de campo permite aaproximação do pesquisador da realidade sobre a qual formulou uma pergunta, mas também estabelecer uma interação com os atores que conformam a realidade e, assim, constrói um conhecimento empírico importantíssimo para quem faz a pesquisa social. É claro que a riqueza desta etapa vai depender da qualidade da fase exploratória. Ou seja, depende da clareza da questão coloca, do levantamento bibliográficobem feito que permita ao pesquisador partir do conhecimento já existente e não repetir o nível primário da “descoberta da pólvora” dos conceitos bem trabalhados que viabilizem sua operacionalização no campo e das hipóteses formuladas.
Todo pesquisador precisa ser um curioso, um perguntador. E essa qualidade deve ser exercida o tempo todo no trabalho de capo, pois este será tanto melhor e maisfrutuoso quanto mais o pesquisador for capaz de confrontar suas teorias e suas hipóteses com a realidade empírica. Assim, o pesquisador não deve ser um formalista que se apegue à letra de seu projeto e nem um empirista para quem a realidade é o que ele vê, “a olho nu”, ou seja, sem o auxílio de contextualização e de conceitos. Nem um nem outro, sozinho, contém a verdade.
Desta forma, no campo, opesquisador precisa não ficar preso às surpresas que encontrar e nem tenso por não obter resposta imediata a suas indagações. É claro que a experiência o ajudará no seu comportamento. Mas é possível recomendar que sempre exercitemos um olhar dinâmico e atento que passe da confrontação da proposta cientificamente formulada para as descobertas empíricas e vice e versa. Sobre a importância dessebalizamento dialético, o clássico antropólogo Malinowski (1984) diz que o investigador deve se preparar muito bem, como se tudo dependesse dele. Porém se houver uma discrepância entre sua teoria e a realidade concreta, ele deve privilegiar perguntas para o nível empírico, relativizando suas hipóteses e pressupostos.
Entendemos campo, na pesquisa qualitativa, como o recorte espacial que diz respeito àabrangência, em termos empíricos, do recorte teórico correspondente ao objeto da investigação (Minayo, 2006). Por exemplo, quando tratamos de entender as concepções de saúde e doença de determinado grupo social; quando buscamos compreender a relação pedagógica entre os estudantes e o professor de determinada matéria, ou o impacto de determinada política pública para uma população específica, cadaum desses temas corresponde a um campo empírico determinado. A pesquisa social trabalha com gente e com suas realizações, compreendendo-os como autores sociais em relação, grupos específicos ou perspectivas, produtos e exposição de ações, no caso de documentos. Os sujeitos/objetos de investigação, primeiramente, são construídos teoricamente enquanto componentes do objeto de estudo. No campo, elesfazem pare de uma relação de intersubjetividade, de interação social com o pesquisador, daí resultado um produto compreensivo que não é a realidade concreta e sim uma descoberta construída com todas as disposições em mãos do investigador: suas hipóteses e pressupostos teóricos, seu quadro conceitual e metodológico, suas interações, suas entrevistas e observações, suas inter-relações com os colegasde trabalho.
Embora haja muitas formas e técnicas de realizar o trabalho de campo, dois são os instrumentos principais desse tipo de trabalho: a observação e a entrevista. Enquanto a primeira é feita sobre tudo aquilo que não é dito, mas pode ser visto e captado por um observador atento e persistente, a segunda tem como matéria-prima a fala de alguns interlocutores.
Na pesquisa qualitativa, a...
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