Trabalho asssalariado e capital (karl marx)

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 7 (1737 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 23 de setembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
TRABALHO ASSSALARIADO E CAPITAL (KARL MARX)
Pensemos, pois, na primeira questão: O que é salário? Como se determina?
Se perguntarmos aos operários: - Que salário recebem? Um deles responderá: - Recebo dois marcos: etc. Conforme diferentes ramos a que pertencessem, assim nos indicariam diversas quantias que recebem dos respectivos patrões, pela execução de um determinado trabalho, como, porexemplo, tecer uma peça de um pano ou por compor uma página tipográfica. Mas apesar da diversidade das afirmações que fazem, todos estão de acordo num ponto: o salário é a quantia em dinheiro que o capitalista paga por um determinado tempo de trabalho, ou pela execução de determinada tarefa.
Dir-se-ia, portanto, que o capitalista compra aos operários o seu trabalho com dinheiro. Estes vendem seutrabalho por dinheiro. Mas só na aparência é que isto se passa. Na realidade o que os operários vendem por dinheiro ao capitalista é a sua força de trabalho. O capitalista compra essa força de trabalho por um dia, uma semana, um mês, etc. E uma vez comprada, utiliza-a fazendo trabalhar o operário durante o tempo estipulado. Com essa mesma quantia de dinheiro com que o capitalista comprou a força detrabalho do operário, os dois marcos, por exemplo, ele poderia ter comprado duas libras de açúcar. Os dois marcos com que comprou doze horas da força de trabalho são o preço dessas doze horas de trabalho. A força de trabalho é, portanto, uma mercadoria, tal e qual como o açúcar. A primeira avalia-se com o relógio, a segunda com a balança.
Os operários trocam a sua mercadoria – a força de trabalho –pela mercadoria do capitalista – o dinheiro – e essa troca realiza-se na verdade em determinadas proporções: tanto dinheiro por tantas horas de utilização de força de trabalho. Para trabalhar ao tear durante doze horas, dois marcos. E esses dois marcos não representarão todas as outras mercadorias que se podem adquirir por dois marcos? O operário trocou assim uma mercadoria, a força de trabalho, pormercadoria de outra espécie, e isto sempre em determinadas proporções. Ao dar-lhe dois marcos o capitalista deu-lhe uma certa quantidade de carne, de roupa, de lenha, de luz, etc e isto sempre em determinadas proporções. Esses dois marcos exprimem, portanto, a proporção em que a força de trabalho é trocada por outras mercadorias, o valor de troca da força de trabalho. O valor de troca de umamercadoria avaliado em dinheiro é precisamente aquilo a que chamamos o seu preço. Portanto, o salário não é mais do que o nome especial dado ao preço da força de trabalho, ao que se costuma chamar preço de trabalho: não é mais do que o nome dado ao preço dessa mercadoria especial que só existe na carne e no sangue do homem.
Suponhamos um operário qualquer, por exemplo, um tecelão. O capitalistafornece-lhe o tear e o fio. O tecelão põe-se ao trabalho e o fio transforma-se em pano. O capitalista pega no pano e vende-o a vinte marcos, por exemplo. Acaso o salário do tecelão representa uma parte do pano, dos vinte marcos do produto do seu trabalho? Não de modo algum. O tecelão recebeu o salário muito antes do pano ter sido vendido e às vezes até antes de o tecer. Assim sendo, o capitalista nãopaga o salário com o dinheiro que vai receber pelo pano, mas com dinheiro que já tinha de reserva. Assim como o tear e o fio não são produto do tecelão, pois os recebeu da pessoa para quem trabalha não o são também as mercadorias que recebe em troca da força de trabalho a sua própria mercadoria. Pode acontecer que o capitalista não consiga encontrar um comprador para o pano. Pode acontecer que nemsequer reembolse com a venda o salário que pagou. Pode acontecer que a venda do pano se realize em condições muito vantajosas, relativamente ao salário do tecelão. Nada disto interessa ao tecelão. O capitalista compra, com uma parte da sua atual fortuna a matéria-prima – o fio- e os instrumentos de trabalho – o tear. Depois de fazer suas compras – e entre as coisas compradas está a força de...
tracking img