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ECO, U. Como se faz uma tese. 15 ed. São Paulo: Perspectiva, 1977.

A quem nos dirigimos ao escrever uma tese? Ao examinador? A todos os estudantes ou estudiosos que terão oportunidade de consultá-la? Ao vasto público dos não-especializados? Devemos imaginá-la como um livro, a andar nas mãos de milhares de leitores, ou como uma comunicação erudita a uma academia científica?
Sãoproblemas importantes na medida em que dizem respeito antes de tudo à forma expositiva a dar ao trabalho, mas também ao nível de clareza interna que se pretende obter.
Eliminemos desde já um equívoco. Há quem pense que um texto de divulgação, onde as coisas são explicadas de modo a que todos compreendam, requer menos habilidade que uma comunicação científica especializada, às vezes expressapor fórmulas apenas acessíveis a uns poucos iniciados. Isso de modo nenhum é verdade. Certo, a descoberta da equação de Einstein, E = mc2, exigiu muito mais empenho do que qualquer brilhante manual de Física. Mas em geral os textos que não explicam com grande familiaridade os termos que empregam deixam a suspeita de que seus autores são muito mais inseguros do que aqueles que explicitam cadareferência e cada passagem. Se você ler os grandes cientistas ou os grandes críticos, verá que, com raríssimas exceções, eles são sempre claros e não se envergonham de explicar bem as coisas.
Digamos então que uma tese é um trabalho que, por razões ocasionais, se dirige ao examinador, mas presume que possa ser lida e consultada, de fato, por muitos outros, mesmo estudiosos não versados diretamentenaquela disciplina.
Assim, numa tese de filosofia, não será preciso começar explicando o que é filosofia, nem, numa vulcanologia ensinar o que são vulcões. Mas, imediatamente abaixo desse nível óbvio, será sempre conveniente fornecer ao leitor todas as informações que ele precisa.

De início, definem-se os termos usados, a menos que se trate de termos consagrados e indiscutíveispela disciplina em causa. Numa tese de lógica formal, não precisarei definir um termo como “implicação” (mas numa tese sobre a implicação estrita de Lewis, terei de definir a diferença entre implicação material e implicação estrita). Numa tese lingüística não terei de definir a noção de fonema (mas devo fazê-lo se o assunto na tese for a definição de fonema em Jakobson). Porém, nesta mesma tese delingüística, se empregar a palavra “signo” seria conveniente defini-la, pois dá-se o caso de que o termo se refere a coisas diversas em autores diversos. Portanto, teremos como regra geral: definir todos os termos técnicos usados como categorias-chave em nosso discurso.
Em segundo lugar, não é necessário partir do princípio que o leitor tenha feito o mesmo trabalho que nós.
Você nãoestá escrevendo uma carta pessoal ao examinador, mas um livro potencialmente endereçado a toda a humanidade.

COMO SE FALA

Uma vez decidido a quem se escreve (à humanidade, não ao examinador), cumpre resolver como se escreve. Problema difícil: se houvesse a respeito regras cabais, seríamos todos escritores de proa. Pode-se recomendar escrever a tese várias vezes, ou escrever outrascoisas antes de atacá-la, pois escrever é também questão de treino. De qualquer forma, é possível dar alguns conselhos muito gerais.
Nada de períodos longos. Se ocorrerem, registre-os, mas depois desmembre-os. Não receie repetir duas vezes o sujeito. Elimine o excesso de pronomes e subordinadas.
Não escreva:

O pianista Wittgenstein, que era irmão do famoso filósofo queescreveu o Tractatus Lógico-Philosophicus, que muitos consideram hoje a obra-prima da

filosofia contemporânea, teve a sorte de ver escrito especialmente para ele, por Ravel, o concerto para mão esquerda, uma vez que perdera a direita na guerra.

Mas:
O pianista Wittgenstein era irmão do filósofo Ludwing. Tendo perdido a mão direita, Ravel escreveu para ele o concerto para mão...
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