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ESTUDOS PRECEDENTES
Neste capítulo, apresento um breve panorama das transformações culturais
e epistemológicas que vêm ocorrendo nas sociedades ocidentais devido à imersão
tecnológica em que vivemos, com a conseqüente mudança nas subjetividades e
nos modos de ação social.
Este trabalho exigiu de mim a compreensão das novas dinâmicas culturais
detectadas pelas ciências sociais noâmbito dos fenômenos da globalização, de
movimentos populares e do impacto do audiovisual na sociedade, traduzidos
especialmente nas transformações de comportamento que a televisão e o
computador induziram. Estes fenômenos interferem na produção de

sujeitos

sociais e o modo como vêm sendo pensados pelas pesquisas realizadas nesse

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campo ajuda acompreender os conflitos entre a chamada cultura midiática e a
"cultura escolar"1 , baseada no impresso .
No diálogo com diversos autores que refletiram sobre essas questões,
pude vislumbrar um contexto interessante em torno do tema da pesquisa, que me
auxiliou a analisar os dados.

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Conjunto de conteúdos cognitivos e simbólicos que, selecionados, organizados,"normatizados"
e"rotinizados", sob o efeito dos imperativos da didatização, constituem habitualmente o objeto de
uma transmissão deliberada no contexto das escolas"(Forquin, 1993:167)

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AS TECNOLOGIAS E A CULTURA AUDIOVISUAL
"Odilon ganhou um BMW vermelho num sorteio do supermercado e no começo
foi aquela alegria! Só por parte da mulher e filhos, pois Odilon, sabendo que não poderia
vender o carro por doisanos, embatucou: 'Eu não sei dirigir e não tenho dinheiro prá
gasolina. O que que eu vou fazer com o carro?'Pois bem, o carro ficou lá parado na
frente do barraco da família e aos poucos, foi virando outra coisa: virou proteção de
goteira em dia de chuva, a bateria serviu para acender luz, o radiador quente deu para
fazer churrasco. Depois de um tempo, venderam o barraco para morar no carro . OBMW vermelho virou casa. Ao fim de dois anos, estava um caco: enferrujado, pichado,
quebrado. Quem iria querer comprar? Odilon então, antes de mandar o dito cujo para o
ferro velho, pediu a um amigo, dono de um reboque, para realizar o sonho que ele teve
desde o começo. Na seqüência final então, com o vento no rosto, segurando o volante

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comforça nas mãos, lá se foram, Odilon e sua família, finalmente, passear no seu BMW
vermelho. Rebocado. Mas enfim, cumprindo sua função essencial: a de ser finalmente,
transporte."

(descrição livre do curta-metragem etnográfico: "O BMW vermelho", dirigido por
Edu Ramos e Reinaldo Pinheiro e produzido por Seqüência 1)
Do meu ponto de vista, este filme ilustra bem o processo pelo qual os
sujeitostransformam a tecnologia naquilo que é possível e necessário para suas
vidas. Ele mostra um carro de último tipo, tecnologia de ponta na área de veículos
automotores, fonte de cobiça e desejo por parte de grandes personagens da mídia,
sendo ressignificado para se encaixar nas circunstâncias e no contexto daquela
família. Pode-se pensar que o modo como as tecnologias da informação e dacomunicação são incorporadas ao cotidiano das pessoas é análogo a esse. As
tecnologias, devemos perceber, não têm o mesmo significado para todos. É o uso
que se faz delas que lhes dá sentido, o que torna necessário pensá-las a partir
daqueles que são entendidos como seus consumidores.
Seria necessário, aqui, repensar o conceito de tecnologia. A idéia mais
corrente é conceituar tecnologia em oposição atudo aquilo que possa estar
contido numa suposta natureza humana. Assim, pode parecer inicialmente
estranho pensarmos que a roupa que vestimos, que o lápis que utilizamos para
deixar marcas no papel sejam tecnologias. Eles já habitam nosso cotidiano de tal
forma que parecem fazer parte de nossa "natureza humana". "Os professores que

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afirmam que o uso do computador e da TV...
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